Santiago - Carlos Alberto Parreira completa hoje, contra o Chile, 80 jogos como técnico da seleção brasileira. Apenas Zagallo, com 132 partidas, comandou mais vezes a seleção que Parreira. E o expressivo número vem em boa hora para o treinador. O Brasil lidera as Eliminatórias da Copa de 2006, acabou de vencer a Argentina, Ronaldo tem feito a diferença, e hoje, em Santiago, pode golear o acanhado Chile, um time cheio de desfalques. Bom momento para ele contestar os críticos. ''Não sou retranqueiro não, mano.'' Nada poderia ser melhor ao mais dos pragmáticos técnicos do Brasil.
Chega aos 80 em três passagens pela seleção. A primeira, em 1984, quando ainda era um aprendiz. A segunda, de 1991 a 94, quando recolocou o Brasil no topo do mundo conquistando o tetra nos Estados Unidos. E a terceira, em janeiro de 2003, depois de herdar de Luiz Felipe Scolari o time pentacampeão.
Em 79 jogos, Parreira conseguiu 41 vitórias, 29 empates e apenas 9 derrotas. Zagallo, em 132, tem 93 vitórias, 30 empates e 9 derrotas.
Sentado em um confortável sofá do suntuoso hall do Sheraton Santiago Hotel, Parreira fez questão de enfatizar como a seleção brasileira está ofensiva. Uma resposta aos que ainda o chamam de ''retranqueiro''.
''Falam que a seleção tem três volantes. Que joga na defesa. Isso é uma contradição. Na verdade temos apenas um volante, o Edmílson. Veja bem, só um volante. O Juninho Pernambucano e o Zé Roberto são meias e o Kaká não é de marcação. Há quanto tempo a seleção não joga assim? E depois sou eu que armo o time recuado. É muita contradição. Veja bem, só temos o Edmílson de volante.''
Outro aspecto que deixa o técnico sereno é a renovação da seleção brasileira. Desde a conquista do penta, em junho de 2002, o treinador sofre cobranças para rejuvenescer o time. No sofá do hotel chileno, Parreira garantiu que 50% do time do penta foi renovado e vem mais por aí.
Ele não admite deixar a seleção antes da Copa do Mundo de 2006. O projeto do sexto título mundial já está pronto. ''Temos dois anos para treinar esse time, preparar bem. É uma situação confortável. Nunca foi tão fácil trabalhar na seleção.''
Se chegar até o Mundial de 2006, Parreira certamente baterá o recorde de Zagallo e será muito difícil outro treinador superar a sua marca.



EM SANTIAGO

Chile

Tapia; Alvarez, Rojas, Olarra e Pérez; M. González, Maldonado, Pizarro e Meléndez; Navia e S. González (Milosevic). Técnico: Juvenal Olmos

Brasil

Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Edmílson (Gilberto Silva), Edu, Juninho Pernambucano e Kaká; Luís Fabiano e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira

Árbitro: Horacio Elizondo (ARG)
Estádio; Nacional
Horário: 22h30 (de Brasília)

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