O técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, ministra hoje e amanhã em Londrina o curso ‘‘Evolução Tática e Estratégias de Jogo’’. A explanação do treinador será transmitida ao vivo para todas as capitais brasileiras e demais municípios pertencentes à rede de telessalas do sistema de ensino à distância da Unopar. O sistema está presente em mais de 200 municípios de 23 estados brasileiros. Ontem, em uma entrevista coletiva, Parreira falou da importância do curso para a formação dos técnicos brasileiros e do futuro da seleção brasileira.
O curso com Parreira, com início previsto para às 9 horas, na sede do Sistema de Ensino Presencial Conectado da Unopar, inaugura as atividades da Escola Brasileira de Futebol (EBF), criada a partir de uma parceria entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa, através do Projeto Goal. O público alvo da EBF são técnicos, preparadores físicos, árbitros e atletas, além de estudantes de educação física. Até ontem à tarde, mais de mil pessoas estavam inscritas.
O técnico da seleção vai abordar a história do futebol brasileiro, sua evolução técnica e tática, e a longa experiência como técnico de futebol. ‘‘Das grandes potências mundiais do futebol, o Brasil era a única que não contava com uma escola de formação de treinadores’’, ressaltou Parreira, que em 1968 participou de um curso com esse objetivo na Alemanha. ‘‘Nessa época, a Alemanha já possuía o mais sólido sistema de formação de treinadores.’’
Dentre os assuntos abordados por Parreira no curso estará a mudança na formação tática dos times. Ele lembrou que no início da prática do esporte, as equipes pensavam somente em atacar, com até oito jogadores. Com a evolução do futebol, a preocupação defensiva passou a ser maior e o sistema de jogo foi modificado, existindo um maior equilíbrio entre defesa e ataque.
Parreira observou que um dos motivos para os técnicos brasileiros não terem abertura no mercado do futebol europeu – salvo exceções como Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo e ele próprio – é exatamente a falta de formação profissional. ‘‘Eles olham para o Brasil lá fora e acham que é o jogador que resolve. Se apenas o jogador resolvesse, o Brasil não teria ficado 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, como ficou’’, afirmou.
Segundo o técnico, é difícil prever em quantos anos o futebol brasileiro poderá colher os frutos do curso para formação de técnicos. ‘‘Não vai ser para hoje, nem para amanhã. Esse é um processo que vai demandar alguns anos. Mas acho que o primeiro passo foi dado. A gente vai começar com as aulas teóricas e vamos complementar com a parte prática na Granja Comari. Espero que dentro de três ou quatro anos a gente já tenha os primeiros frutos dessa formação.’’

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