Rio, 24 (AE) - O técnico Carlos Alberto Parreira pretende reunir-se com treinadores renomados, como Zagallo, Wanderley Luxemburgo, Telê Santana, Evaristo de Macedo, Luiz Felipe Scolari e Sebastião Lazaroni, entre outros, para discutir a criação de um sindicato nacional de treinadores. Ele tem reclamado em público do que chama de falta de respeito com os profissionais que comandam o futebol nos clubes brasileiros e só vê uma saída para acabar com a "vulnerabilidade" dos treinadores. "É preciso formar um grupo forte para combater a falta de consideração e cobrar justiça", declarou. "A indignação é geral."
Parreira, atualmente no Fluminense, reconhece, porém, a dificuldade de levar adiante a iniciativa. Lembra que a vida atribulada dos técnicos - com viagens, jogos e treinos - atrapalha qualquer articulação para tornar a categoria mais coesa e poderosa. "Quando há um tempinho a mais, nas férias, muitos viajam e fica difícil reunir todo mundo."
De acordo com o técnico campeão do mundo em 1994, na Copa dos Estados Unidos, o sindicato poderia ser extensivo a treinadores de vôlei e basquete. "Há diferenças grandes entre técnicos de futebol e de outros esportes, principalmente na forma de pagamento, mas creio que poderia haver uma integração", prosseguiu Parreira. Ele também citou os nomes dos ex-jogadores Júnior e Falcão, que já trabalharam como treinadores, e disse que ambos poderiam reforçar o grupo. Sobre Júnior, inclusive, ressaltou que o ex-craque do Flamengo foi maltratado no próprio clube, de onde foi demitido como técnico, em 1996, depois de ficar apenas três meses na função.
"O técnico de futebol tem de ser cobrado, assim como qualquer profissional, seja lá de que área, mas deve ter a oportunidade de mostrar seu trabalho."
Segundo Parreira, o Congresso Nacional poderia aprovar uma lei, nos moldes da legislação da Espanha, em que técnicos de futebol desfrutem de proteção trabalhista e não possam ser afastados até o cumprimento integral do contrato de trabalho. No Brasil, ele contou, são poucos os treinadores que exigem a inclusão, no contrato, de uma cláusula que determine uma multa rescisória em caso de demissão. "Esse instrumento só é utilizado por treinadores de grande prestígio", explicou. Para Parreira, os técnicos aceitam, em parte, as atuais condições de trabalho para não se afastarem do mercado do futebol. "Isso é inevitável", afirmou.

mockup