Parreira assume favoritismo brasileiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de junho de 2005
Antero Greco eLuis Antonio Prosperi<br> Agência Estado 
Hannover - O Brasil voltou a viver, na Alemanha, rotina que lhe é tão comum em competições internacionais. Bastaram uma boa apresentação e a vitória sobre a Grécia na estréia para a equipe de Carlos Alberto Parreira ter consolidada sua condição de favorita ao título da Copa das Confederações. Elogios ao time, depois dos 3 a 0 sobre a Grécia, espalharam-se por jornais, e tiveram o reforço de dois personagens de peso, e ambos alemães: Franz Beckenbauer e Otto Rehhagel inflaram o ego dos campeões do mundo.
O ''Kaiser'' que comandou a Alemanha em duas conquistas como capitão em 74 e como treinador em 90 reafirmou admiração pelo futebol brasileiro. Já Rehhagel, responsável pela ascensão grega no plano internacional e mentor da campanha da Euro-2004, jogou a toalha, ainda ontem, ao reconhecer que enfrentou um rival descomunal. ''Os brasileiros, inspirados, são imbatíveis'', repetiu, à exaustão.
Os rapapés massagearam o ego de Parreira e fizeram com que voltasse a um tema recorrente nos últimos meses. Na antevéspera de completar 100 jogos à frente da seleção, avisou a quem quisesse ouvir que o Brasil ''precisa assumir sempre sua condição de favorito'' e que tem de aprender a conviver com essa responsabilidade. ''Não adianta nos comportarmos com hipocrisia. Somos favoritos e o melhor é lidar com esse status.''
Já há algum tempo, Parreira se utiliza desse recurso como forma de transmitir para seus jogadores confiança e ao mesmo tempo consciência de que são respeitados, mas cobrados. ''Só não pode acontecer conosco o mesmo que houve com França e Argentina em 2002, por exemplo'', recordou. ''Elas foram à Ásia como favoritas e decepcionaram.''
O caminho do sucesso em 2006 passa pela Copa das Confederações. Parreira firma o pé de que o torneio alemão é a grande chance de consolidar o time, o esquema tático e de chegar bem perto do grupo ideal para a tentativa do sexto título mundial. Por isso, insiste que foi acertada a escolha de jogar com a equipe principal com baixas já conhecidas de Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo. ''Temos a base e ainda alguns jovens que estão tendo oportunidade de integrar-se ao ambiente da seleção.'' Essa linha de raciocínio leva Parreira a considerar decisivo o jogo com o México. Em sua avaliação, os campeões da Concacaf, rivais tradicionais, darão mais trabalho do que os gregos.
Questão de estilo e de técnica. ''O México tem um futebol de toque de bola, de maior penetração'', comparou. ''Por isso, também, é mais perigoso.'' A vitória significa a garantia do primeiro lugar, mas a incógnita em torno do adversário na semifinal permanece. ''Nem posso fazer exercício de adivinhação'', diz o treinador. ''O importante é classificar o Brasil.''


