São Paulo - Se Robinho precisava de mais alguma razão para trocar o Santos pelo Real Madrid, da Espanha, o apoio decisivo veio do técnico Carlos Alberto Parreira. Para o treinador da seleção brasileira, o atacante terá grandes chances de disputar a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, mesmo no futebol europeu. ''Quando o jogador brasileiro atua na Europa, volta melhor. Aprende a ser disciplinado, porque o futebol é mais organizado do que aqui'', apontou Parreira.
O raciocínio acaba com o argumento do presidente do Santos, Marcelo Teixeira, contrário à transferência de Robinho. Para o dirigente, se o atacante permanecer no Brasil tem mais chances de ser convocado. ''O Robinho não tem condições de ser titular da seleção, mas temos mais de um ano até o Mundial'', disse Parreira.
Grandes Centros - O técnico voltou a criticar a transferência de jogadores brasileiros para países de pouca expressão no futebol, ao citar o meia Elano e os atacantes Vágner Love, Daniel Carvalho e Kléber, que jogam na Ucrânia. ''O Elano foi para o Shaktar Donetsk e faz tempo que não o vemos atuar'', apontou. ''O Kléber mostrou qualidade, no São Paulo, mas também sumiu.''
Para Parreira, além da influência negativa dos empresários, o problema é cultural. ''Os pais poderiam orientá-los mais. Agem de forma precipitada e aceitam a primeira proposta que aparece, porque dependem do dinheiro.''
Raí, ex-meia do São Paulo, da seleção e do Paris St-Germain, da França, é apontado pelo treinador como exemplo de quem soube aguardar o tempo certo de deixar o Brasil. ''Em 1991, o Raí recebeu a primeira proposta para sair do São Paulo, e veio me consultar. Pedi para que ele esperasse mais um pouco'', contou Parreira. ''Até que, no tempo certo, em 1993, foi para Paris, ganhou títulos e fez a sua independência financeira.''
Amistoso A falta de datas no calendário das seleções é o principal empecilho para a Brasil arrumar um adversário e preencher a data de 27 de abril, com o objetivo de realizar um amistoso comemorativo pelos 40 anos da Rede Globo. Como não é um dia autorizado pela Fifa para a realização de confrontos, os jogadores que atuam por clubes estrangeiros não poderão ser convocados.
Na tentativa de encontrar adversários, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tentou marcar uma partida contra a Argentina e, posteriormente, o Uruguai, o que acabou não sendo concretizado. Após as desistências de argentinos e uruguaios, restou como opção o Equador.
Os equatorianos chegaram a confirmar o compromisso para enfrentar a seleção no Morumbi, mas o cancelou. O que impediu o Equador de realizar o embate foi que a Liga Deportiva Universitária (LDU), clube que teria o maior número de atletas convocados, realiza no mesmo dia uma partida decisiva pela Taça Libertadores da América, contra o Bolívar, em La Paz.

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