São Paulo - O futuro da parceria com a Media Sports Investiments (MSI) será definido hoje pelos dois principais poderes do Corinthians. Às 19h30, o texto do contrato será apreciado pelo Cori (Conselho de Orientação), órgão composto por 25 ex-presidentes, ex-vices e membros eleitos. Às 20h30, a parceria será julgada e votada pelo Conselho Deliberativo, cujo quadro é composto por 400 conselheiros, mas só 380 devem votar (20 morreram).
Antes do Cori e do Conselho, por volta das 17 horas, o contrato será avaliado por uma Comissão de 11 Notáveis. Ela é composta por três juízes de direito, um desembargador mas também por gente do clube, como o próprio presidente Alberto Dualib, todos favoráveis à parceria. O único dirigente contrário ao acordo é o vice-presidente de Futebol Antonio Roque Citadini, que se nega a falar sobre o assunto. ''Só vou me manifestar no Conselho''.
O contrato entre o Corinthians e a MSI é de dez anos, com uma cláusula garantindo aos investidores o direito de prorrogá-lo por outros dez.
O lobby da diretoria em prol da parceria é enorme. Com uma dívida que beira os R$ 60 milhões, Dualib vê nisso a única saída para tirar o clube do caos financeiro. A MSI promete injetar, de início, U$ 35 milhões U$ 20 milhões para zerar as dívidas e outros U$ 15 milhões para investir em reforços. A empresa se encarregará ainda de todas as despesas dos departamentos de Futebol Profissional e Amador e ainda se compromete a 'doar' U$ 200 mil ao departamento Social no primeiro ano e R$ 200 mil no segundo. Em compensação, ficará com o produto de todas as receitas do clube, menos as do departamento Social.
A disputa entre os que apóiam a parceria e os contra deve transformar o Parque São Jorge um verdadeiro campo de batalha. A diretoria já montou um forte esquema de segurança, que terá a participação da Polícia Militar. Especula-se, no clube, que um conselheiro teria entrado com uma ação cautelar na Justiça pedindo uma liminar suspendendo a Assembléia do Conselho Deliberativo.
Máfia Os opositores à parceria prometem jogar duro. O deputado Romeu Tuma Júnior garante que se o contrato for aprovado no dia seguinte ele entrará com uma representação pedindo a abertura de um inquérito policial para investigar a origem (segundo ele, ilegal) do dinheiro da MSI. O conselheiro, que também é delegado da Polícia Federal, diz ter em mãos um dossiê completo provando o envolvimento da Kia Joorabchian, presidente da MSI, com o bilionário russo Boris Berezowsky, chefe da máfia chechena, e até mesmo com Osama Bin Laden, líder da jidah Islâmica. E ainda promete mostrar alguns documentos que comprometem o negócio.
Os contrários ao negócio com a MSI acusam a diretoria de manipular as informações. Cobram, ainda, a distribuição de uma cópia do contrato para cada um dos conselheiros. A diretoria não vai ceder. Os conselheiros terão de se contentar com informações que serão passadas no sistema audio-visual, num gigantesco telão que será instalado no ginásio do Parque São Jorge.

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