Parentes pegam carona na Regata
o comandante linha-dura do veleiro Oceanos, militar aposentado que não aceita sugestões: "Eles sabem como eu sou, não terão nenhuma vantagem. Minha mulher, pode até ser que não entre nos turnos, mas vai entrar na cozinha." Segundo ele, "é sempre mais agradável viajar com a família".Por Julio Cruz Neto Salvador, 17 (AE) - Parentes, patrocinadores, amigos... Muitos veleiros que participam da Regata do Descobrimento ganharam alguns tripulantes a mais para as duas pernadas finais (Salvador-Cabrália e Cabrália-Rio de Janeiro). Em Salvador, boa parte dos marujos recebeu a visita de seus parentes, vindos de São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões. Alguns deles voltam para casa quarta-feira, quando a flotilha deixa a capital baiana. Outros vão aproveitar o "filé mignon" da regata: três dias até Cabrália, participação em todas as comemorações do descobrimento e mais seis dias até o Rio - em média. "Não dava para elas fazerem a regata inteira, por uma questão de logística e porque alguém tem que cuidar da casa", explica Amaro da Silva, tripulante do veleiro português Sadalsuud, que terá agora sete tripulantes: os quatro originais e mais três esposas. Elas puderam vir sem problemas porque o Governo português interferiu na questão trabalhista: deu isenção de faltas aos seus funcionários e pediu às empresas privadas que fizessem o mesmo. No Corumii, de quatro passaram a ser sete. Vieram a mulher de Sérgio Barros mais a mulher e a filha de Luiz Alberto Ballarin, que tem certa ressalva quanto à vantagem de ter familiares a bordo: "Depende da situação. Quando o mar está grosso, é melhor sem. E os outros tripulantes ficam mais à vontade." Mas quem quis ficar à vontade foi ele mesmo: deixou os dois filhos no barco (o que já estava a bordo mais a recém-chegada) e foi com a mulher para um hotel. Provavelmente o veleiro que mais vai inchar é o Hozhoni. A tripulação foi diminuindo durante a viagem (de nove para seis pessoas), mas agora vão entrar de cinco a sete integrantes, entre parentes e patrocinadores. Até revezamento de cama vai ser preciso fazer, pois o barco só possui sete, além do sofá. O experiente Thierry Stump conta que bolou um esquema de três turnos com cerca de quatro pessoas cada, para se revezarem à noite, de quatro em quatro horas: um trabalha e dois descansam. Quem estiver de plantão, tira seus lençóis da cama para que outro tripulante possa usá-la. Só o próprio Thierry não vai entrar na dança das camas, mas não por querer mordomia. Pelo contrário: "Vou dormir no convés. Tem muita gente e tenho que estar aceso 24 horas." Como haverá pessoas inexperientes a bordo, Thierry está preocupado com enjôos e vai dar remédio para todo mundo - não pelo fato de vomitar, mas pelo fato de que pode ser arriscado subir ao convés para fazê-lo, especialmente à noite. A ordem é nunca se debruçar a sotavento, onde seja, a favor do vento, lado para o qual o barco fica tombado: "Já vi gente cair na água. É melhor fazer no convés e depois lavar com uma mangueira." Thierry, que terá a companhia do filho, garante cuidados com os tripulantes. Mas não promete mordomia na hora das refeições: "Não dá para cozinhar para muita gente. Vamos comer muita fruta, pão, macarronadas grandes e simples..." Também não terão moleza a mulher e o filho de José Correia Leite





