Cláudio Osti
De Londrina
O sonho do Londrina de formalizar uma parceria com um grupo empresarial suíço terminou na madrugada de ontem. O coordenador geral do Londrina, Célio Guergoletto e o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Antonio Amaral, em entrevista coletiva, disseram ontem que o empresário suíço Paul-André Cournu, dono das empresas do setor de alimentos ‘‘SpecialitSs de Champagne’’, da Suíça e da ‘‘De Fontain’’, da França, sentiu-se ofendido com algumas notas publicadas pelo jornalista Fiori Luiz em sua coluna no Jornal de Londrina.
Na quarta-feira Fiori Luiz fez uma análise sobre os valores da parceria – o grupo investiria R$ 2 milhões em um ano e teria direito a 50% do passe dos jogadores vinculados ao clube além de outras rendas – e considerou que seria um ‘‘presente de grego’’.
Na quinta-feira voltou ao tema. Referindo-se ao empresário Norio Matsubara, que estava intermediando a negociação do Londrina com o grupo suíço e que é parceiro de Paul-André Cournu no Yverdon – equipe da primeira divisão do futebol suíço –, disse: ‘‘O Matsubara está falido. Se o cidadão não soube administrar o time de Cambará, como é que vai mandar no Londrina?’
‘‘Estava tudo encaminhado, os contratos, tudo, mas o empresário disse que ficou se sentindo um estelionatário e resolveu suspende qualquer tipo de negociação com o clube. Ele comentou que esperava ser bem recebido na cidade e que não precisava ter passado por isso.
Tentamos convencê-lo que era a posição isolada de um jornalista mas não teve jeito’’, disse Guergoletto. ‘‘Às vezes, para algumas pessoas, um comentário como esse fere mais que um tiro’’, completou Amaral.
O jornalista Fiori Luiz argumentou ontem que em momento algum quis atrapalhar a parceria.‘‘Conheço a luta do Célio Guergoletto e do Antônio Amaral para manter o Londrina. Eu pesquisei e recebi algumas informações e quis fazer um alerta. Estão querendo me usar como bode expiatório pelo negócio não ter dado certo’’, disse o colunista.
Fiori Luiz, que já foi vice-presidente do Londrina na gestão do comentarista esportivo Murilo Zamboni, disse que esperava uma parceria mais consistente. ‘‘Isso parece uma ponte para vender jogador na Europa. Não vou aceitar que culpem a minha coluna por não ter saído o negócio’’.
Sem a parceria, tudo volta a estaca zero. Guergoletto e Amaral garantem que, de uma forma ou de outra, o time disputará o Campeonato Paranaense. Amaral irá a São Paulo conversar com diretores de uma empresa de marketing esportivo para tentar viabilizar um patrocínio.
‘‘No momento não existe nada, absolutamente nada de concreto com relação a arrecadação de recursos’’, confessou Amaral. Segundo ele, por enquanto, de certo só o patrocínio da Rede Paranaense de Televisão que comprou os direitos de transmissão do Campeonato Paranaense. O dirigente afirma que o Londrina receberia R$ 40 mil por mês.
‘‘O projeto era para trabalhar com um orçamento de R$ 150 mil mensal nesta competição, mas sem a parceria que estávamos acertando isto é impossível’’. Os dirigentes acreditam que conseguem montar um time competitivo sem gastar muito. Citam como exemplo, a equipe que disputou o último Campeonato Brasileiro. Eles afirmam que a folha de pagamento era de R$ 65 mil.
Os dirigentes têm mantido contato com o zagueiro Ivanildo, o volante Zé Roberto e o goleiro Silvio. Os dois últimos também estão negociando com a Portuguesa Londrinense. ‘‘São jogadores que, mesmo sabendo de nossas dificuldades, estão dispostos a voltar para o Londrina. Eles sabem de nossa honestidade e podem ser contratados para esta temporada. Também vamos aproveitar jogadores da região e ainda do interior de São Paulo. O time será aguerrido, competitivo’’, promete Guergoletto.