O convite para assumir o cargo de diretor esportivo da Parmalat surgiu em um momento mais do que apropriado. De 1987 a 1991, Brunoro acumulou as funções de técnico e gerente geral da extinta equipe da Pirelli, experiência que lhe deu condições de aceitar a proposta da multinacional, em 1992, que realizou o primeiro contrato de co-gestão com um clube de futebol profissional, a Sociedade Esportiva Palmeiras. A partir daquele ano, o binômio Palmeiras-Parmalat experimentaria uma fase de conquistas sem precedente na história do clube.
‘‘Aceitei o convite porque enxerguei uma grande oportunidade de aprender novos conceitos, adquirir experiência, e abrir um novo campo de trabalho para profissionais do esporte’’, ponderou o ex-técnico, que hoje é sócio de uma empresa de marketing esportivo. Depois de efetivada a parceria, Brunoro foi promovido a diretor de Esportes da Parmalat para América do Sul, época em que ajudou na divulgação do nome da empresa no continente. ‘‘Para mim a experiência foi fantástica em termos profissionais’’, disse.
Brunoro confidencia, no entanto, uma certa frustração devido ao insucesso da profissionalização do futebol no País. ‘‘Fiquei chateado por não conseguir que o futebol de profissionalizasse. A parceria Parmalat/Palmeiras foi a única que deu certo. Vejo uma certa precipitação dos dois lados. A empresa precisa tomar mais conhecimento da realidade do futebol do País e o clube não pode ficar apenas pensado em aportar dinheiro das empresas. Os clubes devem pensar em manter os parceiros para sempre’’, avaliou.
O ex-técnico criticou a postura de cartolas e executivos que encaram a prática esportiva exclusivamente como um negócio. ‘‘O esporte não é somente um negócio, ele tem emoção, envolve pessoas e objetivos. Na Parmalat, por exemplo, nós não vendíamos jogadores antes de dois anos de contrato. Primeiro o jogador dava resultado tecnicamente para depois ser negociado.’’ (Guilherme Gouveia)

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