São Paulo, 16 (AE) - A união Corinthians e Hicks Muse sonha em formar em cinco anos uma equipe totalmente "criada" no Parque São Jorge. Para isso, um orçamento de US$ 200 mil mensais são injetados nas categorias infantis, juvenis e juniores do clube. A meta é revelar a cada ano pelo menos de um a três jogadores para o elenco principal.
Após a conquista da Taça São Paulo de Juniores, em 1999, doze jogadores daquele elenco subiram para o profissional. Cinco deles (Renato, Danilo, Creisler, João André e Ewerthon) serão emprestados para ganharem experiência. Os demais, com destaque para Edu, Fernando Baiano, Índio e Kléber sagraram-se campeões Paulista, Brasileiro e Mundial. Também já atuaram pelo time principal Andrézinho, Marcelo e Rodrigo Pontes.
Após um acordo entre clube e empresa patrocinadora, ficou acertado que o Centro de Treinamento de Itaquera vai ser utilizado só pelos garotos. Cerca de R$ 2 milhões serão destinados à construção de 32 apartamentos para os atletas das categorias inferiores. A obra será erguida sobre o restaurante, vestiários e salas de hidromassagem, já estão em uso no CT.
Com isso, o tradicional "terrão" (campos de terra batida localizados nos fundos do Parque São Jorge) será usado só pelos associados. As equipes de base farão seus treinamentos nos oito campos que serão construídos em Itaquera.
Segundo o presidente Alberto Dualib, um estádio para 40 mil pessoas deverá ser erguido para receber os jogos dos times amadores. Os profissionais treinarão somente no Parque São Jorge e vão atuar no estádio que será construído pela Hicks Muse dentro de dois anos. Um CT para os profissionais, nos arredores da Rodovia Ayrton Senna, também faz parte do planejamento da parceria.
Toda a estrutura do Projeto Itaquera será oferecida para os jovens que obtiverem sucesso nas peneiras realizadas semanalmente no Parque São Jorge com a presença de 400 pretendentes. As peneiras serão reiniciadas no próximo mês.
O lateral-esquerdo Creisler, de 21 anos, que participou da peneira de 1997, lembra que a disputa é acirrada. "Eram sete jogadores para uma vaga na lateral", disse o atleta, que pode disputar uma temporada pelo Náutico. "Para jogar no ataque a concorrência é ainda maior", comparou. "Nenhum lugar tem a estrutura do Corinthians no amador", destaca o meia Gil, de 19 anos, que está no clube também desde 1997.
Com o objetivo de formar o maior número de pratas da casa, a tentativa é evitar casos como o do volante Zé Elias. Após atuar nos juvenis, o jogador foi levado pelo então técnico Mário Sérgio, em 1993, para o time principal. Chegou à seleção brasileira e há quatro anos está no futebol europeu, onde atuou na Alemanha e Itália.
Zé Elias pode voltar ao Parque São Jorge e o clube deverá desembolsar US$ 5 milhões. "Isto é o que queremos evitar; pretendemos formar o jogador e mantê-lo no clube", disse José Roberto Guimarães, diretor da Hucks Muse.

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