A Austrália se preparou outra vez para um grande evento. Apenas um mês depois do encerramento dos Jogos Olímpicos, Sydney se veste com bandeiras e banners para saldar os mais de quatro mil paratletas que disputam a partir de amanhã a última Paraolimpíada do milênio. Novamente a chama do esporte será acesa pela tocha olímpica e a Pira Olímpica do Estádio Olímpico deverá permanecer acesa até o final das competições. O desfile de abertura começa às 20 horas (horário de Brasília).
Todas as 110 mil entradas para a cerimônia de abertura foram vendidas há mais de um mês. Os últimos ensaios terminam hoje e ainda permanece o enigma sobre o que vai acontecer no Estádio Olímpico. Durante as visitas ao Estádio, o que apenas alguns poucos tiveram acesso e puderam ver, foram crianças dançando e sendo transformadas em painéis humanos, bandas de rock e é claro, muitas luzes rodeadas de fogos de artifício que devem colorir o céu de Sydney.
A rede de televisão australiana , ABC – Australian Broadcast Corporation, transmite a cerimônia e as principais provas da Paraolimpíada. O cidadão de Sydney mais uma vez vestiu a camisa do esporte e se mostra muito simpático com a realização dos Jogos Paraolímpicos e com a presença de seus atletas. São mais de quatro mil desportistas que ocupam a Vila Olímpica e treinam em vários lugares da cidade. Mas, num giro pelos pontos turísticos, é possível encontrar técnicos, atletas ou dirigentes contemplando as belezas de Sydney que se mostra uma anfitriã perfeita que também sabe receber os portadores de deficiência, com rampas para cadeirantes e ônibus adaptados para poder transportá-los por todos os lugares.
Assim como nos Jogos Olímpicos, a imprensa australiana abre grande espaço para noticiar o evento. Em Sydney, todos os jornais trazem matérias alusivas à Paraolimpíada. Segundo informações do Comitê Paraolímpico Internacional, profissionais dos cinco continentes estão em Sydney para cobrir mais este encontro paradesportivo que deve ser o maior em cobertura da imprensa mundial.
Os 64 brasileiros que disputam nove modalidades em Sydney vão ser capitaneados por dois paraatletas que terão a honra de carregar a bandeira do Brasil. A mineira Adria Rocha, que irá disputar os 100 metros rasos do atletismo é portadora de deficiência visual – será guiada pelo nadador Luis Silva, um pernambucano de 19 anos, e principal esperança de medalha de ouro brasileiro nas piscinas de Sydney.
A escolha dos porta-bandeiras aconteceu de forma bem democrática, uma vez que os atletas auxiliaram os dirigentes do Comitê a decidirem a quem caberia a honra de entrar com a bandeira do Brasil no estádio olímpico. Luís Silva e Adria Rocha foram os mais votados e a decisão foi recebida com muita satisfação pelos dirigentes do Comitê Paraolímpico Brasileiro. A filha de Adria está em Sydney e disse que ficou emocionada ao saber que sua mãe irá carregar a bandeira. ‘‘Era um sonho dela carregar novamente a bandeira – Adria foi porta-bandeira da delegação brasileira em Atlanta, 96 – e ainda bem que ela conseguiu’’, disse Barbara Rocha Soares, de 10 anos.

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