Paraolimpíada começa em Atenas
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Agência Estado 
Atenas - Vital Severino Neto, o mineiro que comanda o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), é deficiente visual. Mas sua sensibilidade aguçada lhe diz: a história do movimento paraolímpico mundial reserva para os brasileiros um lugar especial em Atenas, berço dos Jogos e do físico perfeito.
Desde a surpreendente campanha de Sydney/2000 22 medalhas, sendo seis de ouro, dez de prata e seis de bronze , quando Severino ainda não chefiava o Comitê, muita coisa mudou até hoje, data da abertura oficial da Paraolimpíada de Atenas.
A Lei Agnelo/Piva, de 2001, que repassa recursos das loterias da Caixa Econômica Federal para o movimento paraolímpico nacional (CPB e associações de deficientes) injetou recursos que, somados ao patrocínio buscado na iniciativa privada, deu à delegação brasileira a chance e a visibilidade de que ela tanto precisava.
A Paraolimpíada, pela primeira vez, terá transmissões ao vivo das principais provas envolvendo brasileiros (Sporttv). Os canais abertos, Globo inclusive, também mandaram equipes para cobrir o evento em Atenas. Com isso, Severino espera não apenas dar retorno aos patrocinadores e valorizar os atletas, como também e principalmente mudar a visão que a sociedade brasileira tem dos deficientes, gente que não está pedindo nada de graça e que tem muito a oferecer.
''Os Jogos de Atenas, tenho certeza, mudarão a visão que o nosso País tem do deficiente físico. Queremos que nossos atletas sejam símbolos, que ajudem os deficientes que não são esportistas a exercer a cidadania plena como agentes da sociedade e não pacientes'', diz o presidente do CPB, que não compartilha, ou pelo menos não diz isso em público, com o otimismo generalizado na delegação, que confia na superação do número de medalhas obtido em Sydney.
Hoje, atletas paraolímpicos de ponta, como o nadador potiguar Clodoaldo da Silva, recebem bolsa por pertencerem à equipe paraolímpica nacional e ajuda de custo equivalente aos resultados que obtiverem. Um dinheiro que ajuda, e muito, para que alguns deles se profissionalizem e se dediquem apenas ao esporte, melhorando assim o desempenho.
Elite Exemplos da influência do poder econômico em resultados paraolímpicos são as provas de pistas do atletismo disputadas por cadeirantes e amputados.
Os países ricos dominam esses eventos por um motivo bem simples: os mais pobres não conseguem nem participar.
Uma prótese de alta tecnologia para um amputado correr custa em torno de US$ 6 mil. Uma cadeira para corridas, US$ 15 mil.
Entre os 98 atletas da delegação brasileira, apenas um compete usando prótese: Rivaldo Martins, que busca medalha no ciclismo.
Ele disse que seus patrocinadores pessoais bancam o equipamento (entre R$ 3 mil e R$ 4 mil). ''A influência dessas próteses nos resultados é total. Se você não conseguir um equipamento de alto nível, esquece. Não dá nem para se classificar.''


