Paranaenses sofrem sem patrocínio
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sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Ed Carlos Rocha Curitiba 
Albari RosaJuliana, do Paraná Clube, tem proposta da Mangueira (RJ)O segundo lugar conquistado por Luiz Carlos Silva (o Atalaia) na Meia Maratona do Rio de Janeiro, no último domingo, mais uma vez colocou um atleta do Paraná em destaque no cenário brasileiro e ao mesmo tempo trouxe à tona a dura realidade desses atletas para praticarem o esporte no Estado.
Segundo cálculo da Federação Paranaense de Atletismo, 90% dos atletas que despontam no Paraná estão hoje competindo por equipes de outros estados.
Na melhor equipe de atletismo do Brasil no momento, a Reebok Funilense, de São Paulo, campeã do Troféu Brasil de Atletismo deste ano, 38 dos 54 atletas são paranaenses. Na Arpoador Rio, equipe que também se destaca no Brasil, dos 62 atletas, 25 são do Paraná. Entre todos eles, estão nomes como o de Roseli Aparecida Machado - ganhadora da última São Silvestre -, Pedro Paulo Chiamulera - campeão sul americano dos 110 metros com barreiras -, Edson Luciano Ribeiro - medalha de bronze na última Olimpíada no revezamento 4 x 100 - e outros.
Segundo o presidente da Federação Paranaense de Atletismo, Ubiratã Martins Júnior, em geral, todos eles têm a mesma história. Eles treinam sem material e alimentação adequadas e mesmo assim conseguem se despontar nas competições.
O presidente da federação acredita que se o governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Esporte e Turismo, tentasse intermediar a busca de patrocínio junto às empresas ficaria mais fácil manter alguns atletas no Paraná. Além disso, Ubiratã gostaria que a Federação tivesse uma verba fixa do Estado.
O secretário estadual de Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos, afirmou que o Centro de Excelência em Atletismo - projeto do governo do Estado para, em parceria com a iniciativa privada, formar atletas em todo o Paraná -, que será lançado em outubro, vai solucionar o problema.
Juliana Campeã Sul Americana juvenil, a curitibana Juliana Emanuele Pereira, da equipe do Paraná Clube, é o retrato fiel da situação dos atletas paranaenses. Com 17 anos, ela está começando a se despontar no esporte e já tem recebido convite para competir pela equipe Mangueira, do Rio de Janeiro. Quero ficar no Paraná Clube, mas a proposta da Mangueira é melhor para mim, disse.


