Paranaenses são bons de briga
No mundo do vale tudo, topar com lutador brasileiro é uma verdadeira parada dura. Valentes, fortes, obstinados e, acima de tudo, bons de briga, os ‘‘brazucas’’ dão o que falar em qualquer campeonato que estejam. No Paraná, a situação não é diferente. Três campeões mundiais treinam em Curitiba.
Pelé, de 25 anos, nasceu em Havana (Cuba) e está com processo de naturalização. Em Curitiba há 16 anos, desde que pediu asilo político, o lutador diz que tem a luta no sangue: ‘‘Meu pai me preparou para os ringues’’, conta. Filho de ex-boxeador Victoriano Martinez Rodriguez, Pelé conta que seu pai teve cinco filhas do primeiro casamento e se frustrara por não ter um filho homem para treiná-lo.
Tudo começou com a capoeira, depois Pelé sentia que precisava aprimorar seu estilo e começou a praticar boxe tailandês. ‘‘Aprimorei minha força e aprendi muito a lutar com as pernas’’, conta.
Atualmente Pelé é lutador profissional, mas ainda sofre com a falta de patrocínio. Fatura anualmente pelo menos 20 mil reais. Ele recebe ajuda da Psico Street (loja curitibana de skate wear) e de alguns amigos empresários. ‘‘Sei do meu potencial e quero lutar fora do Brasil, mas para isso preciso de patrocinadores que acreditem no meu trabalho.’’
Sobre a violência gerada nas brigas de academias, Pelé condena e diz que está fora. ‘‘Sou profissional da luta e totalmente contra a violência gratuita.’’ E ainda manda um recado para os brigões das ruas: ‘‘Se querem, subam no ringue e briguem profissionalmente.’’
Rafael Cordeiro tem 26 anos e há 13 está no ringue. Pratica boxe tailandês há 13 anos e há sete faz jiu-jitsu também. Tudo começou com uma empolgação de adolescente e hoje vive de luta, faturando pelo menos R$ 35 mil no ano, em três lutas. ‘‘É pouco, mas vai melhorar’’, diz.
Ele espera um crescimento ainda maior do esporte. ‘‘Não só o vale tudo, mas o boxe tailandês também cresceu muito nos últimos anos.’’ Cordeiro também condena a violência gerada por algumas brigas de rua e diz que em Curitiba o clima é tranquilo. ‘‘Por representarmos o estado e o país, além da doutrina das academias, o pessoal aqui se respeita e até torce pela gente’’, diz.
Atualmente ele treina cinco horas por dia. Está se preparando para um torneio a ser realizado em dezembro, no Japão. Cordeiro é patrocinado pela Bad Boy – marca de artigos esportivos – e também pela Almeida & Filhos Construtora. ‘‘Sem a ajuda deles dificilmente eu seria um campeão’’, admite, fazendo um apelo para que as empresas invistam mais no esporte. ‘‘As lutas dão grande retorno e é melhor um atleta no ringue do que um drogado nas ruas’’, argumenta.
Outro ‘‘casca-grossa’’ do Paraná é Wanderlei Silva, 23 anos, que está se preparando para disputar o Pride, na próxima terça-feira, no Japão. Ele é um dos favoritos ao título e, se vencer, pode embolsar até 25 mil dólares. Atualmente ele treina seis horas todos os dias, divididas em três períodos. Wanderlei é um os principais lutadores do Brasil. Famoso pelos seus nocautes espetaculares, ele não titubeia em dizer que seu estilo é agressivo mesmo. ‘‘Entro no ringue para nocautear, sem pena.’’
Praticante do boxe tailandês há 9 anos, Wanderlei luta em torneios de vale tudo desde 1995. Hoje é profissional e fatura aproximadamente 40 mil reais por ano. Contrário às brigas de academias, ele dá um recado para aqueles que entram em academias para serem valentões na rua. ‘‘A violência gratuita é burrice e não leva a nada.’’

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