O destino realmente foi cruel com alguns milhares de paranaenses na tarde de ontem. Sem escolha, 7.174 estudantes precisaram abdicar do papel de torcedores para cumprirem a obrigação como candidatos ao vestibular da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Do total de 7.174 inscritos, 146 fizeram a prova em Londrina. no Colégio Estadual Vicente Rijo (área central). Mas se o que não tem remédio, remediado está, muitos vestibulandos decidiram comparecer uniformizados com a camisa amarelinha. Alguns, também apostavam num jeito particular de ''acompanhar'' o confronto entre Brasil e França: pelos rojões e o buzinaço nas ruas.
Otávio Giocondo, 18 anos, trocou carne assada e cerveja pelo desejo de ser aprovado no curso de Mecânica Industrial. ''Não dá nada. Depois da prova, eu vou para o churrasco'', avisou. E, como bom brasileiro, mandou um recado para o técnico teimoso: ''Precisa é colocar os reservas Cicinho, Robinho e o Juninho Pernambucano''.
''Imaginava que poderia fazer a prova em dia de jogo do Brasil, mas não queria que fosse justamente na hora'', confessou o candidato a uma vaga ao curso de Engenharia Industrial, João Augusto do Vale Correia, 18, que também perdeu a festa na casa de amigos. Mas o buzinaço e os fogos do lado de fora não atrapalhariam a concentração? ''Que nada. Vai começar a atrapalhar se não tiver foguetório nenhum'', brincou.
Já o candidato Fernando de França, 19, conseguiu ver um lado positivo em prestar vestibular justamente na hora do jogo da seleção. ''Acho que vai haver mais desistências e isso pode ajudar a gente que veio para a prova'', estimou.
E o vestibular da UTFPR atrapalhou também os planos de acompanhar o jogo do encarregado de manutenção do colégio, José Manoel da Silva Filho, que ficou obrigado a cuidar dos portões de entrada. ''Preferia estar em casa, mas a gente tem que batalhar e aproveitar essas oportunidades de ganhar um dinheirinho extra'', afirmou o pernambucano, que também teve que acompanhar o jogo pelos rojões.

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