Paranaenses no topo do mundo
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os paranaenses estão no topo do mundo. Mais uma vez. Nem mesmo o clima atípico da temporada, o abatimento por uma infecção na garganta e todos os perigos que a maior montanha do mundo, o Monte Everest, podem ocasionar, puderam impedir a determinação e força de vontade de Waldermar Niclevicz e Irivan Burda, que chegaram ao ponto mais alto no dia 2 de junho. A dupla já está em Curitiba para descansar e rever a família.
Os alpinistas escalaram os 8.848 metros de altura do monte Everest, situada na cordilheira do Himalaia, a mais alta do planeta. Foram 83 dias de viagem e, no retorno à Curitiba, eles estavam aliviados. ''Foi um grande alívio, finalmente tinha terminado a escalada, principalmente para mim, que foi um martírio. Mas depois, o cansaço passou a dar lugar a uma grande satisfação, estou superfeliz, realizado'', disse ontem Niclevicz, por telefone.
Foi um martírio porque a dupla escalou o Everest com o clima desfavorável à escalada e Niclevicz acabou ficando doente. ''A melhor época é na primavera, de abril a maio. Nessa época, antes dos temporais de verão, em junho, ocorre uma 'janela' de tempo estável, mas isso não aconteceu este ano e muitas expedições desistiram. Fiquei com uma infecção na garganta que me obrigou a tomar antibióticos. No ataque final ao cume, o tempo melhorou mas terminei a escalada muito debilitado por causa dos remédios, perdi 11 quilos durante toda a viagem'', afirmou o alpinista.
Com a escalada, Niclevicz é agora o único brasileiro e um dos raros alpinistas do mundo que conseguiram escalar o Everest pelos dois lados, do Tibet e do Nepal. Já Burda passa a ser o terceiro brasileiro a chegar ao topo da maior montanha do planeta.
Homenagem O projeto ''10 anos do Brasil no Everest, 1995-2005'' é uma referência ao dia 14 de maio de 1995, quando Niclevicz e Mozart Catão entraram para a história ao se tornarem os primeiros brasileiros a chegarem ao topo do Everest pela face norte, via Tibet. A volta à maior montanha do mundo comemora uma década dessa conquista e também é uma homenagem a Catão, que morreu em 1998, vítima de uma avalanche, enquanto subia o monte Aconcágua.
''No Himalaia, os monges dão uma carta de seda como sinal de respeito. A primeira coisa que fizemos quando chegamos no cume foi colocar uma carta que escrevemos com as frases 'Himalaia 1995 - Aconcágua 1998', que fizemos para o Mozart, no topo da montanha. Depois da gente lembrar dele, deixei a carta ser levada ao vento. Foi uma pequena homenagem a ele'', lembrou Niclevicz.


