Os torcedores paranaenses também sóesperaram o apito final do árbitro espanhol para comemorar os 2 a 1 do Brasil sobre a Escócia. Os foliões esquentaram o clima num jeito bem carnavalesco. Ninguém - pelo menos a maioria - queria repetir as habituais críticas ao esquema de Zagallo. Quase todos preferiram entrar na onda de otimismo do penta.
Paulinho WolfgangLondrinenses na HigienópolisEm Curitiba, o entregador José Carlos Tavares decidiu não trabalhar ontem depois do jogo. Montado em sua bicicleta, com duas bandeiras do Brasil presas na cabeça, ele foi ontem à Avenida Marechal Deodoro, no centro da capital, comemorar o resultado, junto com outros 60 torcedores - a maioria jovens, funcionários públicos ou idosos. ‘‘Na Copa, o que vale é a festa’’, disse.
Marcelo AlmeidaA comerciante Sandra Araújo Silva fechou a loja para comemorarDiversos carros com bandeiras ou balões em verde-e-amarelo desfilaram nas ruas centrais da cidade, provocando pequenos engarrafamentos. A comemoração foi organizada pela prefeitura na avenida Marechal de Deodoro. ‘‘A intenção era fechar parte da avenida, mas, como não houve multidão suficiente, a polícia só acompanhou a festividade nas calçadas’’, informou o tenente-coronel Justino Henrique Sampaio Filho, do Batalhão da Polícia de Trânsito de Curitiba (BPTran). Às vezes, os torcedores interrompiam o trânsito. ‘‘Tem que vir mais gente para fazer uma festa maior aqui’’, pediu a comerciante Sandra Araújo Silva, que fechou a loja mais cedo.
Paulo WolfgangAdriano e PaôlaHouve aqueles que comemoraram de uma forma diferente. A lojista Izabel Maria Pires colocou véus verde e amarelo e subiu no tanque da Praça do Expedicionário, com uma bandeira e uma bexiga gigante. ‘‘Sou portuguesa e resolvi fazer uma homenagem ao Brasil’’, disse. Ela contou que, mesmo perdendo a aposta de um bolão, ficou feliz com resultado. Boca Maldita - Não deu tempo para todo mundo voltar para casa. Alguns torcedores foram obrigados a ver a partida em frente dos televisores de lanchonetes ou das poucas lojas de eletrodomésticos, que mantiveram as vitrines abertas. Em algumas lojas, os funcionários que ficaram viram a partida amontoados em torno de pequenos televisores.
‘‘Moro no fim do mundo’’, disse o office-boy Leonardo Correia, que estava em frente ao McDonalds da Boca Maldita, área central de Curitiba, ao lado de outros 40 torcedores.
Paulo WolfgangJanaína e suas amigas festejam em Londrina Londrina - Era uma festa só na esquina da Av. Higienópolis com a Rua Espírito Santo (área central de Londrina). É lá que centenas de pessoas vestiram a camisa da Seleção Brasileira, balançaram bandeiras verde-e-amarelo e sambaram descontraidamente ao ritmo do som animado e barulhento de um trio elétrico.
E não é que havia até duas crianças canadenses - de camiseta canarinho - no meio da farra? Omar, de 4 anos, e Hurye, de 12, moram em Ontario-London, mas visitam parentes em Londrina, inclusive a irmã Sanah. A tia deles, Fátima Zabiam, ainda levou os sobrinhos Aline, Jamele e Rashid.
Márcia Peres, 32, gritou pelos 2 a 1, mas acha que o Brasil precisa melhorar muito para conquistar o título. ‘‘A gente não pode se iludir’’, alerta.
Mais de 20 garotas-propaganda desfilavam em uma camionete do restaurante Shirogoham, mas, por medida de segurança, o policiamento as obrigou a descer do veículo. Janaína, Sandra, Mara, Dalila e Alexa protestaram. Janaína, a mais exaltada, reclamou de ‘‘tanta caretice’’.
O casal Adriano Ribeiro e Paôla Burigo se dividia entre o namoro e a curtição da vitória.
Fernanda Alves de Abreu, 17, e Marisa Bosso, 17, mantêm a mesma opinião: os tetracampeões não convenceram - ‘‘faltaram mais gols’’. Juliana Benatti, 16, ‘‘adorou o futebol de Ronaldinho’’. Ela também esqueceu as intrigas contra Zagallo. Sua colega Juliana Ribeiro, 16, aposta no título. Grasiele Favoreto, 18, desabafou: ‘‘Foi demais!’’.

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