Que o nível do futebol húngaro está muito longe de se aproximar do brasileiro isso não é novidade. A força da Hungria nos gramados ficou no passado, junto com a lenda Ferenc Puskas e a seleção vice-campeã mundial em 1954. Mas em um outro quesito, os húngaros se assemelham aos brasileiros: a paixão pelo esporte. E uma torcida leva esse fanatismo ao extremo. É a do Ferencváros, time mais tradicional do país. Eles se autodenominam o ''Flamengo da Hungria''. E dois brasileiros se destacam nas categorias de base do Fradi, como é conhecido o time. São o lateral esquerdo Maurício, de 17 anos, e o meia Juninho, de 16, filho do ex-jogador e atual gestor do Cambé, Edenilson Franco, o Pateta.
Os dois fizeram parte da primeira excursão que o ex-jogador do União Bandeirante e do Cruzeiro comandou na Hungria, com a Platinense, em janeiro passado. A boa atuação contra o próprio Fenencvaros - vitória por 3 a 0 -, credenciou os dois garotos a ficarem no clube.
Juninho está na equipe Sub-16. Já Maurício, que tem se destacando mais, integra o time Sub-19. Ambos estão sendo preparados para ficarem no clube até alcançarem o time principal.
''O Maurício, hoje, pode jogar em qualquer time da primeira divisão. Estou muito feliz com ele'', afirmou o técnico da equipe Sub-19, Dykon Béla, ex-atacante, cinco vezes campeão húngaro e com mais de 500 partidas disputadas pelo Fradi. ''Ele já treina com o time de cima para pegar experiência, mas joga no Sub-19. Acredito que, em um ano, ele já esteja na equipe principal'', completou o treinador.
Maurício nasceu em Sinop-MT, mas cresceu em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), onde mora sua família. Ele diz ainda estar se adaptando ao estilo húngaro de trabalho. ''O treinamento aqui é muito mais puxado, mais pegado, mas é apenas uma vez por dia. Mas o time é muito bem estruturado e é bem legal saber que estamos no time mais tradicional do país'', afirmou Maurício.
O técnico dele contou que a Hungria voltou a apostar na formação de garotos, principalmente por questões financeiras. ''Os clubes voltaram a pegar o jogador da base, colocar no time B e prepará-lo para a equipe principal. É a maneira mais fácil de negociar os jogadores e fazer dinheiro'', afirmou Béla.
Se Maurício já está quase chegando na equipe principal, Juninho ainda tem um caminho mais longo a percorrer. E junto com essa trilha, leva o peso da fama do pai, que foi um dos primeiros parceiros de ataque de Ronaldo Fenômeno, quando ele ainda era um garoto dentuço subindo da base do Cruzeiro.
''Comentei com alguns amigos e eles pesquisaram na Internet. Querem ver fotos do meu pai, querem que eu fale do Ronaldo'', disse Juninho.
O apoiador sabe bem conviver com a sombra de Pateta e não se incomoda. ''Desde pequeno tem uma grande pressão, mas eu estou acostumado com isso. Meu pai sempre me aconselhou'', afirmou o garoto de Jacarezinho (Norte Pioneiro), lembrando que a maior dificuldade é outra: a distância de casa. ''É uma experiência nova, longe da família e em um país tão diferente''.
O Ferencváros é o time que mais vezes venceu o campeonato nacional, com 28 conquistas. Foi também a primeira equipe húngara a se classificar para a chave de grupos da Liga dos Campeões da Europa, em 1995. Dois brasileiros integram a equipe principal do Fradi, o volante Júnior e o atacante Somália, ex-Paraná Clube.

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