O bolão começou quase como uma brincadeira para a araponguense Taiana Poliseli Ramos. Há dez anos, enquanto via um grupo participando de um torneio nacional em Curitiba, ela experimentou e não parou mais. Mas foi nos últimos quatro anos que ela resolveu levar a brincadeira a sério. Começou a treinar e disputar suas primeiras competições.
Hoje, depois de inúmeras conquistas estaduais e nacionais, a jovem de 24 anos não tem dúvidas de que escolheu a modalidade certa. A certeza ficou ainda maior na última semana, quando ela recebeu a sua primeira convocação para defender a seleção brasileira no Campeonato Mundial de Luxemburgo, que será realizado em maio de 2013.
''Estou muito ansiosa. Na verdade, acho que a ficha não caiu ainda. Eu pratico há apenas quatro anos, é pouco perto de um monte de gente do Brasil que também poderia ir. Tem tanta gente que joga há muito mais tempo e nunca teve uma chance como esta. Foi uma surpresa muito boa'', disse a bolonista.
E se engana quem pensa que o Brasil vai ao Mundial apenas para fazer figuração. Trazido ao país pela colonização alemã, o bolão é bastante praticado no Sul do Brasil, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tanto que praticamente toda a seleção brasileira convocada para o Mundial é formada por atletas desses três estados. ''O Brasil tem uma tradição de bons resultados, teve até um brasileiro que já foi campeão mundial'', conta a atleta araponguense.
Os principais favoritos em competições internacionais sempre são alemães, italianos e americanos. ''Mas o Brasil também tem boas chances. Acredito que dá para brigar por um lugar entre os três primeiros'', projeta Taiana.
Estilos
O bolão é praticado em dois estilos, diferenciados apenas pelo tamanho da bola. O mais antigo e tradicional é o da bola maior, de 23 cm de diâmetro. A outra, criada mais recentemente é o bolão 16, com bolas de 16 cm. Taiana pratica as duas modalidades, mas foi convocada para integrar a equipe feminina brasileira do 'bolão 16'.
Entretanto, para confirmar sua viagem à Europa, a bolonista ainda precisa resolver um grande problema, comum ao esporte amador brasileiro: a falta de dinheiro. Como a Confederação Brasileira de Bocha e Bolão (CBBB) não banca as despesas, fica a cargo dos próprios atletas angariar verba para poderem disputar as competições. Até a confecção do uniforme eles terão que bancar.
A falta de apoio, no entanto, já não surpreende mais Taiana. Ela conta que desde o início da trajetória no esporte convive com o problema. ''O incentivo é muito pouco e isso reflete diretamente no desempenho, pois não dá para disputar todas as competições'', comenta. Sem dinheiro, também não há estrutura. Para treinar, Taiana precisa encarar a estrada todos os finais de semana e ir até Maringá. ''Em Arapongas, a pista ficou quebrada um tempão. Agora, uma delas voltou a funcionar, mas o maquinário não permite que jogue o bolão 16'', explica ela, que banca as viagens do próprio bolso.
Apesar de todas estas dificuldades, ela não desiste. Montou uma proposta e promete percorrer Arapongas e região para conseguir os cerca de R$ 10 mil que precisa para ir a Luxemburgo. ''Estou otimista. Acredito que vai dar certo'', encerrou, otimista, a bolonista.

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