Curitiba - Um dos principais berços do ciclismo nacional, contando com atletas de elite como Luciano Pagliarini e Nilceu Aparecido dos Santos, o Paraná ganha espaço também na organização do esporte. Londrina é sede da Confederação Brasileira de Ciclismo e agora a seleção brasileira de pista será comandada pelo curitibano Adir Luiz Romeo. O técnico assume o desafio de montar, até o mês de julho, uma equipe minimamente competitiva para as disputas em velódromo nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.
Ex-atleta, Romeo conhece a fundo as dificuldades e a falta de estrutura da modalidade no Brasil. Sem uma cultura ciclística, são poucas as oportunidades de desenvolver novos talentos. Atualmente existem apenas três pistas em condições de receber competições da modalidade no Brasil, uma delas a de Curitiba. Por isso, o caminho natural dos ciclistas é se concentrar nas corridas de estrada, onde conseguem mais destaque. Fato que obrigará o treinador a convocar atletas que não são especialistas em pista para competir no Pan.
''Quem tem o conhecimento técnico da prova de estrada também pode correr na pista, mas isto exige alguma adaptação. É mais ou menos a relação que existe entre futebol de campo e futsal'', explica, destacando a falta de um calendário de competições como a maior dificuldade para o esporte.
Apesar dos percalços, o técnico não se lamenta e pretende não fazer feio na competição continental. ''Desde 2001 observamos alguns atletas que têm o perfil para este tipo de prova'', afirma. A convocação está condicionada a uma série de fatores. O primeiro é o limite máximo de 17 atletas, somando as provas de estrada e pista. A idéia é utilizar ciclistas que não integrarão a equipe de estrada e inscrevê-los no maior número possível de provas. ''Na pista existem duas vertentes de atletas: os meio-fundistas e os velocistas, cada um com um perfil adequado a determinado tipo de prova'', conta.
Correndo por fora, a equipe brasileira espera surpreender, o que poderá ajudar a difundir a modalidade no país. ''Na estrada estamos entre os cinco melhores do continente, mas na pista ainda temos bastante a evoluir'', afirma o técnico, que ressalta o desnível em relação às principais equipes das Américas. ''Os países que mais aplicam a ciência ao esporte, como Estados Unidos, Canadá e Cuba, são favoritos às medalhas. Em Cuba, por exemplo, existem mais de 20 treinadores exclusivos para competições de pista. No Brasil, se tivermos três é muito''.
Para reverter o quadro e colocar o país ao menos no mesmo patamar de Colômbia, Venezuela, Argentina e Chile, Romeo conta com o apoio da Confederação para desenvolver um trabalho a longo prazo. ''Estamos estudando a organização de provas de rua com as mesmas distâncias de nossas provas de meio-fundo, que contariam pontos para a formação da equipe de pista'', explica, citando a possibilidade de utilizar locais como o Zerão, onde os ciclistas podem simular o ritmo adotado nas provas em velódromo. Corridas das quais Romeo espera trazer um futuro mais brilhante para a modalidade.

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