Paranaense quer jogar seu terceiro Mundial
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 2008
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
De passagem por Maringá, onde passou o Natal com a família, o lateral-esquerdo Alex, 31 anos, que já disputou duas Copas do Mundo pela seleção japonesa (em 2002 e 2006), conversou esta semana com a FOLHA. Alex falou sobre os planos para 2009 e a renovação de contrato com o Urawa Reds, time que defendeu nos últimos cinco anos.
2008 foi um ano muito ruim para o jogador, que ficou nove meses parado, devido a uma lesão na coxa (ruptura de tendões), mas espera dar a volta por cima em 2009. ''Minha meta é voltar a jogar bem para ser convocado para a seleção japonesa e assim poder disputar a Copa de 2010''. Alex falou ainda sobre a reativação do clube que o revelou para o futebol, o Grêmio Maringá. O velho ''Galo'' ressurgiu por iniciativa de empresários locais e retomará o Campeonato Paranaense a partir Terceira Divisão, em 2009.
FOLHA - Quais clubes você já defendeu?
Alex - Comecei nas escolinhas do Grêmio Maringá aos 10 anos (em 1987) e permaneci até os 16, quando me mudei para o Japão. Comecei jogando em equipes colegiais e aos 19 me profissionalizei no Shimizu S-Pulse, onde fiquei por sete anos. E estou há cinco anos o Urawa Reds, com o qual tenho contrato até janeiro de 2009.
FOLHA - Você vai renovar com o Urawa?
Alex - Sim, porque tive um ano ruim no clube em 2008, devido a uma lesão séria que me deixou nove meses fora dos gramados, e quero compensar em 2009 ajudando o clube a ganhar títulos.
FOLHA - O que o futebol japonês já proporcionou a você?
Alex - No começo tive que quebrar várias barreiras, como a língua, a comida diferente, a distância da família. Mas quando assinei meu primeiro contrato profissional, aos 19 anos, comecei a ver um bom futuro por meio do futebol. Ganhei títulos e hoje estou realizado.
FOLHA - Você só jogou no Japão?
Alex - Não. Em 2007 fui emprestado para o Red Bull, da Áustria, onde fui campeão nacional e disputei as Eliminatórias da Champions League e a Copa da Uefa.
FOLHA - Você pensa em jogar na Europa ou no Brasil no futuro?
Alex - Por enquanto só estou pensando em 2009, quando quero dar a volta por cima no Urawa Reds. Quero voltar a jogar bem para a ser convocado para a seleção japonesa e ir para a Copa de 2010.
FOLHA - Quais os títulos que você já ganhou no Japão?
Alex - Pelo Shimizu fui campeão japonês (J-Legue), campeão da Copa Nabisco (correspondente à Copa do Brasil) e três vezes campeão da Copa do Imperador. Pelo Urawa fui também campeão da J-League e duas vezes da Copa do Imperador.
FOLHA - Como você vê o estágio atual do futebol japonês?
Alex - Sinto que progrediu muito tecnicamente a partir de 2000, quando jogadores como o Nakata e o Nakamura (meias) tornaram o futebol japonês conhecido. O Nakata, sem dúvida, foi o maior jogador revelado no Japão (passou por clubes italianos como Roma, Parma e Perugia). Mas vejo que de 2006 para cá, o país deu uma estacionada, embora continue tendo um dos grandes campeonatos do mundo.
FOLHA - Falando de Maringá, como você vê o ressurgimento do time do Grêmio?
Alex - Sempre tive comigo que o Grêmio nunca havia morrido, que só estava descansando. Como eu nasci aqui em Maringá e comecei no Grêmio sempre tive um elo que ligasse ao clube. Fico feliz de ver o time ressurgindo, mas também triste por ver que chegou ao fundo do poço, fechou e agora terá que começar do zero de novo, da Terceirona. Maringá é uma cidade carente de uma boa equipe e que gosta de futebol. Nos últimos 20 anos apareceram alguns times representando a cidade, com nomes diferentes (Maringá E.C., Galo Maringá, Adap Galo) e que mesmo com jogadores meia-boca o estádio quase enchia em jogos decisivos. Agora, com a volta do Grêmio, aposto que o torcedor voltará ao Willie Davids e irá apoiar o time.


