Paranaense pronta para surpreender na marcha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de julho de 2008
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Infelizmente, no Brasil, um enredo se repete com muita frequência: atleta talentoso é obrigado a abandonar o esporte devido à falta de apoio. Aconteceu com a paranaense Tânia Spindler, 31 anos, especialista na marcha de 20 quilômetros. ''Desisti (do atletismo) porque não tinha patrocínio suficiente para cobrir as despesas de treinos e competições, recebia só uma ajuda mensal da Fundacen, uma escola técnica de Araucária, já há vários anos, mas não conseguia uma equipe ou maior apoio para me dedicar totalmente aos treinos'', conta.
Mas, no caso de Tânia, o enredo mudou e teve final feliz. Após quase desistir do atletismo, ela tentou novamente e, com bons resultados, conseguiu se classificar para a Olimpíada de Pequim.
Nascida em Palotina, Tânia reside atualmente em São José dos Pinhais. Iniciou a carreira em um projeto de atletismo em Goioerê, em 1990, com o professor Irineu de Oliveira, treinador dela até hoje, e marido de Tânia.
A paranaense dá mais detalhes da desistência da vida de atleta e da volta por cima: ''No início de 2007, quando já havia parado, meu primo, Jader Spindler, o Baré, que joga futebol no Japão, me pediu que eu voltasse (para o atletismo), que ele me ajudaria, mas eu tinha que prometer que conseguiria a vaga para os Jogos Pan-Americanos e para o Mundial de Atletismo, que aconteceria em Osaka, onde ele morava e jogava. Aceitei a proposta, voltei a treinar, me empenhei ao máximo. Fiz até promessa pra santo, fui campeã brasileira e participei das duas competições prometidas, reencontrando meu primo no Japão. Voltei e paguei a promessa: no início de 2008, fiz a pé o trajeto de Venâncio Aires, Rio Grande do Sul, ao Santuário do Padre Réus, em São Leopoldo, num total de 120 quilômetros''.
O incentivo do primo propiciou bons resultados: quarta colocada no Pan do Rio; 30º lugar no Mundial; oitavo lugar no Sul-Americano de marcha atlética, em 2008. ''Além desses resultados, fui 23 na Copa do Mundo de Marcha, no dia 11 de maio, em Cheboksary, na Rússia, onde obtive o índice A para a Olimpíada, com o tempo de 1h33:23, recorde brasileiro'', complementa a paranaense.
Para Pequim, Tânia traçou o objetivo de ficar ao menos entre as vinte primeiras da marcha. ''Medalha será muito difícil, mas não impossível. Será uma prova muito dura, por causa do calor, da umidade e da poluição. Além disto, acontecem muitas desclassificações, principalmente entre as primeiras, então é muito importante estar bem na prova, pois o resultado final será muito difícil de prever. As atletas mais fortes serão as russas, seguidas das bielo-russas, das norueguesas, portuguesas e espanholas'', analisa.
Para melhorar sua performance, Tânia já há alguns dias vem treinando nas alturas. ''Estou na Colômbia desde o dia 14, em Paipa, a 2.800m de altitude. O treinamento em altitude visa melhorar a concentração de hemoglobina no sangue para um melhor transporte de oxigênio, efeito causado pela baixa concentração de oxigênio em altitudes elevadas. Como resultado, quando voltamos ao nível do mar ou próximo, temos um aumento da capacidade aeróbica e consequentemente da performance. Provavelmente, a grande maioria dos atletas de provas longas que competirão em Pequim estão neste momento treinando em altitude'', afirma Tânia, que viaja para a China na próxima semana.


