Janaina Tupan Frare
Especial para a Folha
De Winnipeg, Canadá
O paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, 29 anos, garantiu medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. Ele completou a maratona de 40 km, em 2h17min20s. O outro brasileiro, Eder Moreno Fialho, chegou em terceiro, com 2h20min09. O segundo lugar ficou com o venezuelano Maza Lares, com o tempo de 2h19min56.
A chegada foi em ritmo de festa. O paranaense não se contentou apenas em balançar a bandeira, teve também que dar um beijo na pista. Vanderlei, que é de Cruzeiro do Oeste e aos 14 anos foi treinar em Maringá, dedicou a medalha aos seus pais, José e Aurora, que estão completando 50 anos de casados e ainda moram em Cruzeiro do Oeste.
Vanderlei disse que esta vitória foi muito importante para ele, já que há três semanas sofreu uma contusão no tendão esquerdo, o mesmo que o tirou da última São Silvestre. Ele explica que por causa disso até os seus treinamentos foram alterados. ‘‘Eu achava até que não seria possível participar do Pan-Americano, mas deu certo e eu consegui superar este obstáculo e ganhar a medalha’’, completou.
O atleta disse que durante toda a prova procurou estar no grupo da frente, e no quilômetro 20 resolveu assumir a liderança. ‘‘Sofri um pouco porque estava ventando muito, além de estar úmido e abafado. Corri bastante tempo sozinho, peguei muito vento’’, disse.
Logo na chegada, Vanderlei entregou o seu companheiro de equipe, o carioca Eder Fialho. Eles estavam correndo juntos até o quilômetro 20, quando Eder teve uma dor de barriga e precisou fazer um ‘‘pit stop’’ de 40 segundos. ‘‘Encontrei um matinho e falei pro Vanderlei, é ali mesmo’’, disse Fialho.
Com a parada, Eder chegou a ficar na nona colocação, mas conseguiu se recuperar. ‘‘Vim correndo praticamente a maratona inteira sozinho. O pessoal estava muito na frente. Vim crescendo na prova, passando um por um, e no quilômetro 30 vi que ainda podia chegar entre os três primeiros’’ , explicou.
‘‘Cheguei na terceira colocação a quase 100 metros da chegada. Tentei buscar a segunda colocação, mas já não dava mais. Se não tivesse acontecido isso, estaria brigando pelo 1º ou 2º lugar’’, completou. Eder atribuiu a dor de barriga ao molho da macarronada que comeu no jantar do dia anterior. Disse que não sabia que era de catchup.
A mineira Viviany Anderson de Oliveira também chegou em terceiro lugar na maratona feminina. Ela fez o tempo de 2h40min55s. ‘‘Isso não foi uma maratona, foi uma loucura’’, disse a atleta, explicando que a colombiana Iglandini Gonzales, 2ª colocada, estava usando uma tática suicida. ‘‘Ela dava tiro e parava toda hora. Se eu fosse na dela nem teria chegado nem em terceiro’’, completou. A columbiana fez o tempo de 2h40min06. A medalha de ouro ficou com a chilena Erika Oliveira.
Infância sofrida Vanderlei trabalhou como bóia-fria durante toda a sua infância. ‘‘Já cortei cana, colhi algodão, já fiz todo serviço de campo que se pode imaginar’’, disse. Começou a correr no município de Tapira e aos 14 anos foi treinar em Maringá. Em 94 foi convidado a participar da Maratona de Reins, na França, como coelho (corredor que só está ali para aumentar o ritmo da prova). Para a surpresa de todo o mundo, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar.
Desde então não parou mais. Também esteve em Atlanta (EUA). Atualmente mora em Campos do Jordão (SP), onde faz a faculdade de Educação Física. Vanderlei descansa por cinco dias e depois começa a se preparar para a Maratona de Fukuoka, que acontece em dezembro, no Japão.

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