Paranaense está perto de título inédito
Marcos Freitas
De Curitiba
Pela primeira vez na história, o Paraná pode ter um campeão brasileiro de motovelocidade. O curitibano Cidalgo Chinasso, 24 anos, corre hoje no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, na busca do título da categoria 500cc, em sua primeira temporada de profissional no motociclismo nacional.
Líder do campeonato com 86 pontos, 14 a mais que o segundo colocado, o piloto sabe que existem várias combinações que podem lhe dar o título. Até mesmo se não completar a prova desde que o carioca Othon Russo e o paulista Dorival Júnior não cheguem entre os quatro primeiros.
Combinações matemáticas à parte, Chinasso só pensa em largar e se, possível, trazer para o Estado mais um título inédito. Estou confiante na minha equipe, que montou uma boa máquina e, se Deus quiser, farei uma boa corrida, disse ele à Folha na sexta-feira.
Mas estar liderando o campeonato nacional na primeira temporada como profissional deu uma virada na vida do piloto, que começou a correr por acaso. No ano passado ele foi com sua moto Kawasaki 750 no Autódromo Internacional de Curitiba para participar de um treino livre e literalmente voou na pista a ponto de ser convidado, uma semana depois, para correr o Campeonato Brasileiro.
O convite veio de Adelmo Kaschak, da Kaschak Moto Racing, uma equipe de Cascavel. No ano passado ele testou o equipamento em duas etapas do Brasileiro e assombrou na chegada, conseguindo um quarto lugar já na estréia, em Goiânia. Neste ano, Chinasso foi pole em todas as corridas de que participou e hoje está a um passo de um título muito importante. Sei que se conseguir o caneco as portas vão se abrir mais facilmente, confia.
Mas a motovelocidade não é a única função de Chinasso. Paralelo aos treinos, preparação física, luta para conseguir mídia e patrocínio, existem dois outros Cidalgo Chinasso: o empresário e o estudante. Ele é dono da Casa Árabe em Curitiba, um dos mais tradicionais restaurantes da culinária árabe, onde trabalha todos os dias e ainda divide o tempo com os livros de Contabilidade. Chinasso cursa o terceiro ano de Ciências Contábeis na Universidade Tuiuti. Para falar a verdade, nem eu acredito como consigo dar conta de tudo, sem falar na vida pessoal; afinal tenho pai, mãe...
A correria começa cedo. Todos os dias ele faz exercícios físicos, dá uma corridinha e vai para o restaurante. Antes, é claro, dá uma passada na oficina e conversa com seus fiéis escudeiros: o mecânico Agnaldo Tavares e o preparador de motores Jonas Aristides. Depois, encara algumas horas de aula. No outro dia, tudo igual. A não ser quando é terça-feira, dia de treinar em São Paulo. Aí acordo cinco da manhã, vou para a estrada, chego em Interlagos e treino o dia todo para depois voltar a Curitiba.
É bem verdade que se os treinos acontecessem em Curitiba a correria poderia ser menor. Mas aqui é preciso alugar a pista e isso é caro, alega. Ele conta que em São Paulo existe um dia específico para treinos de moto. E elogia também a administração do Autódromo de Londrina. A abertura para nós motoqueiros é bem maior do que aqui, conta, lembrando que foi no Autódromo Ayrton Senna que começou a trocar as primeiras marchas rumo ao sucesso.





