Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas pela corrente de solidariedade às 71 vítimas do acidente com o voo que levava a equipe da Chapecoense até Medellín, na Colômbia. O sentimento que correu o mundo, contudo, foi muito além das hashtags. No epicentro da dor, na Arena Condá, em Chapecó (SC), a psicóloga paranaense Marly Perreli presta atendimento aos parentes e amigos próximos das vítimas. Experiente em situações de tragédias, Marly diz nunca ter presenciado tamanha comoção.
Ela, que representa o Conselho Regional de Psicologia do Paraná, integra o batalhão de mais de uma centena de psicólogos que prestam serviços voluntários no Oeste catarinense. "A solidariedade das pessoas é contagiante. O sentimento de empatia, de se colocar no lugar do outro, é reconfortante para quem perdeu um ente querido", comenta. A psicóloga de São Mateus do Sul (Sudeste), acredita que o clima de amparo às famílias deve persistir por muito tempo. "É natural que a comoção diminua após certo tempo. Um fator determinante é a proximidade. Aqui em Chapecó, a dor vai perdurar por muito tempo e, com ela, a solidariedade", acredita.
Segundo Marly, o vestiário dos atletas se tornou uma espécie de memorial. "As pessoas tocam os armários como se tentassem um meio de contato. Eles já são considerados heróis. Mesmo com a recomposição do time, eles nunca serão esquecidos", relata. Ela deve ficar na cidade até domingo (4). Na manhã deste sábado (3), os corpos chegam nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e seguem para velório coletivo na Arena Condá. "O sábado será um dia muito difícil. Teremos psicólogos espalhados por todo o estádio para dar todo o apoio necessário", prevê.
Marly também participou da missão brasileira no Haiti em 2014 e 2015. "Situações de tragédia são uma oportunidade para as pessoas repensarem suas vidas. Em tempos que o mundo vive um distanciamento emocional, a solidariedade é um alento. O desafio é torná-la um hábito", analisa a psicóloga.

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