O paranaense Édson Luciano Ribeiro, 27 anos, vai tentar buscar em Sydney a sua segunda medalha olímpica. Medalha de bronze em Atlanta (96), ele virou o ídolo da cidade de Bandeirantes, Norte do Estado, sua terra natal. ‘‘A cidade é pequena, acho que não é tão difícil ser ídolo de uma cidade como aquela’’, comenta. Edson sempre brinca que vai acabar se tornando prefeito da cidade. ‘‘Ainda não foi nessa eleição que eu me candidatei’’, diz, entre risos.
Antes de descobrir o atletismo, aos 19 anos, Edson trabalhou como lavador de carro, mecânico e frentista de posto de gasolina. Bastante levado, chegou a capotar o carro quando participava de um racha e ainda botou fogo em seu quarto. O atletismo trouxe mais responsabilidade ao paranaense, que foi recrutado para disputar uma competição interna, quando servia o tiro de guerra do Exército. Os resultados foram tão bons que recebeu inúmeras propostas de transferência.
‘‘Hoje é legal ser reconhecido na rua. Em Bandeirantes, crianças e senhoras me param para falar que gostam muito de mim. Fico feliz em ter me transformado em uma boa influência para a minha cidade.’’
Experiente na pista, experiente em casa. Há seis meses, Edson se tornou papai e está tendo de trocar muita fralda. ‘‘Já tenho bastante prática. Tenho duas irmãs mais novas e eu ajudei a cuidar delas.’’
O único problema é ficar longe de Johan por muito tempo. ‘‘Logo que cheguei aqui já mandei revelar algumas fotos dele. Também trouxe uma fita de vídeo e quando a saudade aperta demais vou para frente da televisão.’’
Johan vai ter que esperar mais um pouquinho pelo banho. Mas Édson espera que não demore muito para ele conseguir a segunda medalha olímpica. ‘‘Vou correr com o coração. Espero que os outros também façam isso. Porque só assim teremos realmente a chance de sair daqui com a medalha no peito.’’

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