Os quatro times do interior - União, Operário, Francisco Beltrão e o litorâneo Rio Branco - que sobraram no Campeonato Paranaense da Série A-1 tentarão provar, a partir deste domingo, que não são meros coadjuvantes na competição. Desde a integração dos clubes da capital com os do interior em um único campeonato, em 1951, somente em nove edições do Estadual o título acabou nas mãos dos times interioranos. Dos 47 campeonatos já disputados, os clubes de Curitiba venceram 39 vezes - um total de 80,85%.
O número de conquistas dos times do interior é de apenas 19,14%. O primeiro clube a faturar o título foi o Monte Alegre, em 1955, quando a decisão era entre Sul e Norte. Em 1961, o campeão foi o Comercial, de Cornélio Procópio. Em 62, o título foi para o Londrina. Em 63 e 64, deu Maringá. O interior só viria a quebrar o jejum de conquistas em 1977, com o Grêmio de Maringá. Em 80, o Cascavel dividiu o caneco com o extinto Colorado (hoje Paraná). O último clube a vencer o Estadual foi o Londrina, em 81 e 92.
Dos quatro pretendentes deste ano, apenas União Bandeirante e Operário de Ponta Grossa já chegaram perto do título. O Operário foi vice em 58 e 61. O União terminou em segundo lugar em 66, 69, 71, 89 e 92.
‘‘Estou bastante confiante de que vamos ganhar em casa para reverter esse quadro. Podem ter certeza de que vai haver os três jogos’’. A afirmação otimista é do técnico do União, Julinho Barcelos, que crê ser possível encarar o Coritiba em igualdade de condições. ‘‘Temos ainda um handicap importante: em junho completo um ano aqui no União e ainda não perdemos nenhum jogo em casa’’, destaca o treinador, que avisa: ‘‘Aqui dentro ninguém escapa’’. Esse dado, segundo Julinho, tem sido destacado sempre em suas conversas com os jogadores para motivá-los. ‘‘Temos um time jovem, que veste a camisa e vem jogando um bom futebol’’, elogia ele.
Se depender do entusiasmo do diretor de futebol do Operário, Antônio Luis Mikulis, o Atlético também sairá derrotado de Ponta Grossa no domingo. ‘‘Em casa, nós ganhamos’’, garante ele, que só teme a arbitragem. ‘‘Agora, lá na capital quem vai apitar vai ser um árbitro de lá. Estou sempre preocupado com a arbitragem e vou fazer uma relação de quem não queremos em nossos jogos’’, adiantou Mikulis, que atribui o mau desempenho dos times do interior à fórmula da competição.
O técnico do Francisco Beltrão, Joubert Pereira, ficou satisfeito com o desempenho de sua equipe na primeira fase. A quinta colocação livrou o Tricolor do Sudoeste do temível confronto com o trio-de-ferro de Curitiba. Apesar de reconhecer o valor do bom time do Malutrom, Pereira acredita que seu time pode passar para a semifinal. ‘‘Sabemos da força do Malutrom, mas podemos enfrentá-lo de igual para igual’’, afirma o treinador. ‘‘Queremos ganhar este jogo e se possível com uma boa frente, para termos vantagem nas partidas de volta, em São José dos Pinhais.’’





QUEM TEME O INTERIOR?

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