Paraná perde espaço no esporte de alto rendimento
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domingo, 03 de fevereiro de 2008
Luciano Balarotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo terceiro ano seguido com apenas duas equipes na divisão de elite do futebol brasileiro, o Paraná perde espaço em âmbito nacional também em outras modalidades. Isto porque logo após a realização da Olimpíada de Pequim, entre agosto e setembro deste ano, a seleção brasileira de ginástica artística deve deixar o Estado, que já perdeu nos últimos anos uma das principais equipes do voleibol feminino, a seleção de ginástica rítmica e a de canoagem.
O anúncio da ginasta Daiane dos Santos, que se apresenta ao Pinheiros logo após competir na China, antecipou os planos da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) de acabar com a seleção feminina permanente, a exemplo do que já aconteceu com a masculina. ''A seleção permanente é um projeto que tem relação direta com a realização dos Jogos e o final do ciclo olímpico. Assim é natural que os ginastas voltem a seus clubes para participar dos eventos do calendário nacional'', explica Vicélia Florenzano, atual presidente da entidade, que deixará o cargo no final do ano. Por isso, caberá a quem assumir o posto a decisão pela reativação ou não das seleções permanentes e a escolha de suas sedes.
Apesar disso, Vicélia lembra que mesmo sem a presença da seleção, a capital paranaense não perderá o centro de formação de novos ginastas. ''O Centro de Excelência de Ginástica seguirá o seu caminho e seu propósito social de, através do trabalho de iniciação na ginástica artística, identificar as crianças com possibilidade de seguir ao alto rendimento. O projeto funciona há mais de dez anos com resultados maravilhosos'', complementa a dirigente.
Marketing
Desfecho bastante semelhante ao que ocorreu com a equipe de vôlei do Rexona-Ades, que deixou o Paraná em 2004, após oito anos representando o Estado - período em que conquistou os títulos nacionais de 1998 e 2000 e levou grandes públicos ao hoje quase abandonado Ginásio do Tarumã. Por questões de marketing, a patrocinadora tranferiu a equipe para o Rio de Janeiro, buscando maior visibilidade.
''A decisão foi da empresa, que já tinha alcançado seus objetivos em Curitiba. Em termos desportivos, o período no Paraná foi muito bom para a equipe e para a própria empresa. Como legado, os projetos sociais e as escolinhas continuam funcionando, comandados por profissionais de nossa equipe'', destaca Hélio Grinner, assistente-técnico de Bernardinho e treinador da equipe por três anos no período paranaense.
Se ainda lamenta a falta de representante na Superliga Feminina de vôlei, o Paraná tenta retomar espaço na competição masculina. Após longa ausência, este ano o Estado conta com dois representantes no campeonato - Uniamérica, de Foz do Iguaçu, e Cesumar, de Maringá -, mas ainda sem resultados expressivos. Também no basquete a Inesul tenta repetir as boas campanhas no Brasileiro da modalidade, ocupando atualmente a 6 colocação por aproveitamento de pontos. Mas, nos esportes coletivos, os melhores resultados têm sido do handebol londrinense, campeão nacional masculino em 2005 e vice em 2004, 2006 e 2007.
Nos esportes individuais o panorama não é diferente. A primeira perda foi a da seleção permanente de canoagem de velocidade, que treinava em Londrina. Hoje, a equipe está sediada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo - apenas o paranaense Roberto Maehler segue em Cascavel. Já a seleção de ciclismo de pista, que se preparou para os Jogos Pan-Americanos 2007 em Curitiba, deve utilizar o moderno velódromo construído no Rio de Janeiro antes das próximas competições. Para compensar, a seleção de taekwondo, que tem como maior destaque a paranaense Natália Falavigna, dividirá os treinamentos para Pequim entre Londrina e Rio de Janeiro.


