Paraná inova na fórmula do campeonato
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 03 (AE) - O Campeonato Paranaense do próximo ano será no mínimo inovador. Primeiro, porque tomará todo o primeiro semestre, começando em fevereiro e terminando em julho e, segundo, porque traz uma fórmula sui generis nos cruzamentos das quartas-de-final. Ao invés do normal, que privilegia critérios técnicos entre os oito classificados, colocando em confronto o primeiro e o oitavo, o segundo e o sétimo, e assim por diante, no Paranaense, o primeiro jogará contra o segundo, o terceiro contra o quarto, o quinto contra o sexto e o sétimo contra o oitavo.
O objetivo da fórmula, aprovada em arbitral, é permitir que os clubes do interior do Estado tenham mais possibilidades de chegar à decisão do campeonato. Tradicionalmente, os três primeiros lugares na fase classificatória ficam com os times da capital: Atlético, Coritiba e Paraná Clube. "É uma fórmula que foge do tradicional e abre espaço para os clubes do interior", afirmou o presidente do Operário de Ponta Grossa e do Clube dos 9, entidade que congrega os times do interior, Antonio Mikulis.
No início do arbitral, o Clube dos 9 propunha que as finais tivessem obrigatoriamente os dois times de Curitiba e os dois do interior melhores classificados, independente da colocação. Com 42 votos contra 33, a fórmula poderia ser aprovada pelo interior
mesmo com a ausência do Londrina, mas foi prontamente rechaçada
inclusive pelo presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Rolim de Moura. A partir daí, formulou-se a proposta que acabou sendo aprovada. "Viu-se que seria menos horrorosa", disse o presidente do Coritiba, Jacob Mehl.
Segundo o coordenador geral de Futebol do Londrina, Célio Guergoletto, o clube não compareceu porque seria apenas um pré-arbitral, que depois transformou-se em arbitral. Ele não concorda com a fórmula. "Não vai ao encontro do interesse do torcedor", afirmou. "Ninguém vai investir num campeonato assim e os estádios ficarão às moscas." Mikulis discorda e diz que já está em negociações com uma empresa que irá patrocinar todos os times do Clube dos 9.
O coordenador-geral do Atlético Paranaense, Nelson Fanaya, entende que o maior "absurdo" da fórmula está na fase classificatória, quando os 12 times jogarão entre si em turno e returno. "O Atlético não tinha interesse em tantos jogos, mas os times do interior não abriram mão disso", afirmou. Fanaya acredita que haverá um esvaziamento do campeonato. "Estão enterrando o Campeonato Paranaense", salientou.
Prevendo a pouca atração nos jogos, o clube planeja disputar o campeonato com jogadores das categorias de base e mandar as partidas no estádio do Centro de Treinamentos, no bairro Umbará.
O Coritiba também não pretende colocar o time titular na fase classificatória, que estaria disputando a Copa do Brasil e um torneio paralelo, envolvendo os três representantes da capital e alguns do interior, com o apoio financeiro de uma rede de televisão. "Seria altamente rentável", disse o presidente do Coritiba, Jacob Mehl. As equipes principais entrariam somente na fase decisiva do Paranaense.
De acordo com Mehl, a fórmula do Paranaense é "excelente para "experimentar jogadores". "Nós não tínhamos tempo para isso, disputando três competições nacionais", disse. "Como pouco importa se chega em primeiro ou em oitavo, poderemos experimentar novos valores", afirmou.
"No interior, também há possibilidade de surgir novos jogadores." Para Mikulis, "a questão de time principal é relativa". "Os reservas podem jogar até melhor." Segundo ele, os clubes do interior já estão investindo na formação de seus times. "Se os times da capital bobearem, vão ter problemas na segunda fase, porque não mandarão os jogos em seus campos", alertou.


