Curitiba, 18 (AE) - A discussão sobre extinção de torcidas organizadas e restrição de acesso a estádios voltou a entrar em pauta hoje em Curitiba. Durante um debate em programa de televisão, o presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, e o coordenador-geral do Atlético Paranaense, Nelson Fanaya, concordaram que uma das medidas que podem ser adotadas é a proibição da entrada de torcida adversária nos clássicos. "Agradeceríamos se isso ocorresse", disse o comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar de Curitiba, coronel Jorge Rodrigues. Outra possibilidade é a extinção das torcidas organizadas, como ocorre em São Paulo. No clássico de domingo, entre Coritiba e Atlético, no Estádio Couto Pereira, houve tumulto no início do jogo e quebra-quebra no final.
Cerca de 40 pessoas foram atendidas com ferimentos, 17 outras foram autuadas pela Polícia Civil, 13 carros foram destruídos, vários outros, entre eles ônibus, tiveram vidros quebrados ou lataria amassada e 12 catracas foram arrebentadas. A polícia, que deslocou cerca de 450 homens para o estádio, foi insuficiente para controlar o tumulto.
A direção do Coritiba tinha destinado apenas 10% dos 50 mil ingressos para a torcida do Atlético. "Quem deixa só 5 mil entrar, não deveria deixar ninguém", diz o major Nemésio Xavier
que coordenou a segurança no estádio. Para ele, o espaço reservado - apenas parte do anel inferior - também contribuiu para o agravamento do problema. Torcedores do Coritiba instalados acima arrebentaram as paredes de um banheiro para retirar pedras e atirar contra os adversários, que revidaram arrancando pedaços das arquibancadas.
O presidente do Coritiba disse, no entanto, que o comando do Policiamento da Capital foi comunicado de que aquele espaço seria reservado aos torcedores atleticanos. "O comando garantiu segurança e tranquilidade e disse que não haveria qualquer problema porque no piso superior seria proibida a chegada ao alambrado", afirmou. Mas isso não aconteceu. "Essa falta de educação, de respeito, essa selvageria não pode punir uma divisão de estádio", disse.
Depois da partida, os torcedores do Atlético saíram pelo estacionamento reservado à imprensa, próximo de onde havia pedras, pedaços de tijolos e outros restos de materiais de construção cobertos com lona preta. Transformaram-se em novas armas para a destruição dos automóveis. No meio do tumulto, um tiro para o alto foi dado por um radialista, que alegou estar sendo acuado pelos torcedores. Dois policiais militares também sofreram ferimentos não graves.
O Ministério Público, por meio do Centro de Apoio das Promotorias Criminais, também vai investigar as ocorrências de domingo. Como resultado das investigações pode ser proposta ação cível pedindo a extinção das torcidas organizadas.

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