O presidente do Paraná Clube, Dilso Rossi, foi taxativo ontem a respeito do suposto doping dos jogadores Gil Baiano e Luciano Viana, divulgado anteontem à noite pela CBF. ‘‘Vamos atrás dos culpados. O Paraná Clube não pode ter a sua imagem prejudicada. Já estamos apurando minuciosamente o fato para que o culpado, ou culpados, venham à tona, sejam eles os próprios jogadores, diretores do clube, profissionais do departamento médico ou manipuladores do hidradante que é servido aos jogadores.’’
Gil Baiano e Luciano Viana foram suspensos preventivamente por 30 dias na terça-feira à noite, quando a Comissão de Controle de Dopagem da Confederação Brasileira de Futebol divulgou o resultado do exame feito com urina coletada após o jogo contra o Bragantino (2 a 2), no dia 23 de agosto, em Curitiba. Mesmo que sejam punidos pelo Tribunal de Justiça, o Paraná não perderá o ponto conquistado no jogo.
Na urina dos dois foram encontradas as substâncias fenproporex e anfetamina. Contidas em remédios moderadores de apetitte, elas são proibidas pela CBF por serem estimulantes do sistema nervoso central. Assim que receber a citação do Tribunal Justiça da CBF, o Paraná terá 30 dias para defender os jogadores e o médico Jonhatan Zaze.
Segundo Dilso Rossi, as investigações vão seguir basicamente em três caminhos: ‘‘Ou os atletas tomaram algum medicamento deliberadamente, ou a substância foi adicionada no hidratante feito em farmácias de manipulação, que prefiro não citar os nomes, ou alguém simplesmente adicionou as substâncias em alguma refeição dos jogadores’’.
Gil Baiano, Luciano Viana e o médico Jonathan Zaze se defendem. Zaze afirmou ontem que não foi dado a qualquer um dos atletas remédios que pudessem conter as substâncias proibidas pela CBF. Segundo o médico, todo jogador é obrigado a consultar o médico antes de tomar qualquer medicamento. ‘‘Não posso precisar o que houve, mas sei que os jogadores não têm tendência a engordar e não teria por que prescrever moderadores de apetite para eles. Agora, se tomaram por conta própria, não tenho como controlar.’’
Luciano Viana declarou que nunca tomou moderadores de apetite e que em toda a sua carreira também nunca precisou de estimulantes. O jogador comentou ainda que sempre consultou o médico do clube no qual atuava antes de ingerir um medicamento. ‘‘Com 28 anos de idade, sendo mais de dez no futebol, não ia ser ingênuo de ingerir medicamento que pudesse causar doping.’’
Gil Baiano afirmou que não teria necesidade nenhuma de tomar moderadores de apetite. ‘‘Todo mundo sabe que eu sou magro. Nunca precisei desses remédios e não ia ser agora que ia arriscar a minha carreira tomando alguma substância proibida.’’
Os três também têm as suas hipóteses para o caso. Embora prefiram não afirmar, a de que a substância pode ter sido ingerida junto com o hidratante que é servido aos jogadores antes, durante e após os jogos, é uma das mais fortes, principalmente para Luciano Viana e Jonatham Zaze. ‘‘Alguém pode ter sabotado na hora da manipulação do hidratante’’, disse Luciano. ‘‘É uma hipótese que precisa ser averiguada’’, afirmou Zaze.

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