Paralisação ameaça o futebol brasileiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O futebol brasileiro pode parar neste segundo semestre. Ontem, pela primeira vez desde que começou a confusão envolvendo o Gama e a CBF, os representantes do Clube dos 13 admitiram que a paralisação é uma ameaça cada vez maior. Apesar de divulgar a tabela da Copa João Havelange, com 108 clubes, e acenar com a Copa União, caso a Justiça mantenha a proibição do primeiro torneio, os próprios dirigentes estão céticos.
Não vejo saída, lamentou o presidente do São Paulo, Paulo Amaral. Já estou me preparando para disputar amistosos e excursionar. Da mesma forma, o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, avisou que vai esperar um pouco mais para fazer grandes contratações. Agora isso também faz parte do contexto, justificou Dualib. Como vamos nos arriscar se nem sabemos que campeonato vamos disputar?.
Também o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda, não está querendo falar sobre contratações. Primeiro, temos de pensar em jogar e só depois vamos tratar dos jogadores. Até o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, se deteve mais nessa possibilidade. Ninguém vai ganhar com a paralisação, advertiu Koff.
Mas os grandes clubes terão como sobreviver com excursões e amistosos. Este apelo aos clubes pequenos, na verdade, é hoje a maior aposta do Clube dos 13. Com mais de uma centena de times envolvidos, os dirigentes das grandes equipes acham que haverá uma enorme pressão dessas torcidas para a realização da Copa João Havelange. Essa competição vai dar emprego a mais de cem times, declarou Dualib.
Vamos fazer um tour de force para que a opinião pública fique a nosso favor. Com esse objetivo, o Clube dos 13 chegou até a desrespeitar a liminar concedida pela 21ª Vara da Justiça Federal ao divulgar a tabela da Copa João Havelange. Mesmo sob o risco de desobediência a uma determinação judicial, que mandava incluir o Gama na competição, os dirigentes acham que, agora, a briga será de todos os 108 times contra o clube de Brasília.
Se a estratégia não funcionar e a liminar for mantida pela Justiça, ainda sobra a alternativa da Copa União, que seria disputada apenas pelos 20 associados ao Clube dos 13. Embora alguns presidentes defendam essa hipótese, ninguém parece muito convicto de que o Judiciário ache as duas competições diferentes. Sem falar no Santa Cruz e na Ponte Preta, que ficariam de fora e poderiam recorrer da decisão.
A maior ameaça, porém, a toda essa tática continua sendo a verborragia de Eurico Miranda. Cada vez que ele abre a boca, a opinião pública e o Judiciário ficam mais favoráveis ao Gama. Depois de desafiar o juiz autor da liminar, Eurico ainda arrematou: Temos de acabar com esse falso moralismo de ganhar dentro do campo.
Paranaenses Caso seja mesmo realizada a Copa João Havelange, o Paraná terá sete representantes nas três divisões da competição. Coritiba e Atlético estão no módulo azul, que representaria a Série A do Brasileirão com a participação de 24 clubes. Paraná e Londrina estão no módulo amarelo, equivalente à Série B e com a presença de 36 equipes. Rio Branco, União Bandeirante e Malutrom foram colocados no módulo branco, espécie de Série C que terá 48 times. Os jogos de estréia dos paranaenses são: Atlético x Flamengo, Vitória x Coritiba, Paraná x Marcílio Dias, Criciúma x Londrina, Etti/Jundiaí x Malutrom, Rio Branco x Ituano e Inter-Limeira x União.


