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m de leitura Atualizado em 04/03/2022, 11:59

Paralimpíadas de Inverno, em máxima tensão, convivem com guerra

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de março de 2022

MARCOS GUEDES
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Há exatamente um mês, os Jogos Olímpicos de Inverno tiveram sua cerimônia de abertura realizada em um clima de tensão política, com movimentos simbólicos de líderes internacionais. Nesta sexta-feira (4), em um ambiente que já vai bem além da tensão e do simbolismo, foram abertos oficialmente os Jogos Paralímpicos de Inverno.

Enquanto a chama era acesa no estádio Ninho de Pássaro, em Pequim, na China, a Ucrânia continuava a ser bombardeada pela Rússia. Se havia no início de fevereiro o temor de que o estresse na relação entre atores da geopolítica pudesse atingir maiores níveis, agora há a inapelável realidade de uma guerra em andamento.

No mês passado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, esteve na abertura e formalizou com o presidente chinês, Xi Jinping, uma aliança contra políticas ocidentais. Desta vez, enquanto conduz seu país em meio a uma invasão, iniciada em 24 de fevereiro, o líder russo não viajou a Pequim. Também não estiveram no estádio seus compatriotas atletas.

Os russos foram vetados das competições, assim como os esportistas da Belarus, aliada da Rússia. O CPI (Comitê Paralímpico Internacional) chegou a anunciar a permissão a esses competidores, apontando que a proibição só seria possível após uma assembleia geral. Porém, pressionada, a entidade teve de recuar.

Competidores e comitês nacionais de vários países criticaram bastante a decisão original. Assim, o presidente do CPI, o brasileiro Andrew Parsons, vetou russos e belarussos "para preservar a integridade dos Jogos e a segurança de todos os participantes". "Garantir a segurança dos atletas é de suma importância para nós", justificou o comitê.

Foi nesse clima que se realizou a abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno, que começam em um clima político ainda mais tenso do que o observado nos Jogos Olímpicos de Inverno. Na solenidade desta sexta, a delegação ucraniana foi uma das mais aplaudidas. Celebrados pelos presentes no Ninho de Pássaro, alguns atletas ergueram o punho como um sinal de resistência à guerra com a Rússia.

No discurso que inaugurou as Paralimpíadas de Pequim-2022, Andrew Parsons, que havia aplaudido de pé a entrada dos atletas ucranianos no estádio, clamou pela paz.

"Nesta noite, quero começar com uma mensagem de paz. Como líder de uma organização que tem a inclusão em seu cerne, na qual a diversidade é celebrada e as diferenças, abraçadas, estou horrorizado com o que está acontecendo no mundo neste momento. O século 21 é tempo de diálogo e diplomacia, não de guerra e ódio", disse o brasileiro.

"Um oponente não precisa ser um inimigo. O movimento paralímpico convoca as autoridades mundiais a se juntarem, como os atletas fazem, para promover a paz, o entendimento e a inclusão", continuou Parsons, que encerrou o discurso com um "Muito obrigado" seguido por um grito de "Paz!".

Os porta-bandeiras do Brasil foram Aline Rocha e Cristian Ribera, ambos do esqui cross-country. Também fazem parte da delegação verde-amarela Guilherme Cruz Rocha, Robelson Moreira Lula e Wesley dos Santos, outros que praticam o esqui cross-country, e André Barbieri, que estará na disputa do snowboard.

É o maior grupo levado pelo país a uma edição das Paralimpíadas de Inverno. Os brasileiros estrearam na edição de 2014, em Sochi, na Rússia, com dois participantes. Em 2018, em Peyongchang, na Coreia do Sul, foram três. O número foi dobrado em Pequim, onde se busca o primeiro pódio.

"É uma honra imensa representar o meu país nos Jogos e ainda por cima ser porta-bandeira", afirmou Aline Rocha. O sentimento é compartilhado por Cristian Ribera, que, depois de experimentar o orgulho de carregar o símbolo de seu país, agora busca se orgulhar também de seu desempenho. "Sei quanto treinei, quanto trabalhei. Sonho alto."