Paraguaios fazem carreata pelas ruas de Ciudad del Este
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quarta-feira, 24 de junho de 1998
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
O terceiro gol do Paraguai, marcado pelo atacante Cardoso, a cinco minutos do final do jogo contra a Nigéria, foi a senha para que as ruas de Ciudad del Este, cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu, fosse tomada por uma imensa carreata. O destino da maioria dos torcedores foi a Rotonda Oaci, na confluência de duas das principais avenidas da cidade. Chegou nossa vez. Nas duas últimas copas, torcemos pelo Brasil. Agora temos uma seleção que nos dá orgulho, comemorava Antônio Santero, um camelô de 23 anos, que já se confessava meio alto com tanta cerveja. Bebi antes do jogo para enfrentar o nervosimo, explicou.
O clima de euforia - a última grande festa esportiva do país havia sido durante a Copa do México, em 1986 - contagiou principalmente os jovens de Ciudad del Leste, quase todos vestidos com a camisa da seleção. Eles festejavam em grupos, subindo em postes, nas carrocerias de camionetes repletas de bandeiras (garotos vendiam bandeirolas por 5 mil guaranis ou R$ 2,50); muitos cantavam e paravam os carros que passavam. Alguns queriam tornar a festa obrigatória e convidavam os passageiros de ônibus a descer e se juntar aos milhares de torcedores.
Lembro que em 1994 estava aqui, celebrando o tetra do Brasil. Mas agora é especial. Estou emocionado, disse Xavier Flores, 25 anos. Ele assistiu ao jogo num telão da boate Área Virtual, junto a uma centena de frequentadores. No intervalo do jogo tentei animar as pessoas. Estavam todos preocupados, relata. Depois do jogo, empolgado, diz que não conseguia parar de berrar ganhamos, ganhamos. Eu não acreditava que havia vencido uma seleção favorita e que um time pequeno como o nosso tinha desclassificado a poderosa Espanha, vibrava.
Flores não era o único a destacar o triunfo sobre os espanhóis como algo especial. O vigilante Pedro Britos, 42 anos, lembrava que o Paraguai foi desrespeitado pelos adversários. Diziam que éramos os mais fracos. Tiveram a resposta dentro de campo. Britos acredita que a vitória dará confiança ao time para enfrentar a França. Nos classificamos no grupo mais difícil da Copa. Não dá para ter medo de ninguém. Menos confiante, a estudante Gisele Crosa, 20 anos, considera o jogo das oitavas-de-final muito difícil. Eles são os donos da casa (França), mas podemos surpreender.


