Parabadminton como ferramenta de socialização
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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Apesar de integrar o quadro de modalidades dos Jogos Olímpicos, o badminton ainda é uma modalidade muito pouco conhecida entre os brasileiros. Nessa faixa da população não está inserida uma turminha de Londrina que tem se destacado, e muito, praticando o esporte que nasceu na Índia, mas foi criado oficialmente na Inglaterra, na cidade da qual herdou o nome. Praticando o parabadminton classe SI9 (vertente adaptada para pessoas com deficiência intelectual) -, alunos do Instituto Londrinense de Educação Para Crianças Excepcionais (Ilece) colecionam medalhas e sentem de perto o valor da socialização.
A modalidade foi implantada na escola de Londrina em 2009 pelo professor Edmundo Novais. É ele um dos grandes incentivadores do parabadminton no Paraná. Participou ativamente da criação da categoria especial para atletas com deficiência intelectual e ajudou no processo de registro dela junto à Federação Paranaense de Badminton, a partir de 2010. Nos anos seguintes colaborou na organização dos campeonatos estaduais e nacionais.
Torneios estes nos quais a equipe do Ilece tem sido destaque. No final de semana passado, o time brilhou na disputa da primeira etapa do Campeonato Paranaense, em Francisco Beltrão (Sudoeste), ao conquistar sete medalhas. Conquistas que representam muito mais que "apenas um lugar no pódio". "Com o tempo, eles adquiriram uma naturalidade da prática impressionante. Evoluíram muito no lado social, pois onde vão hoje para competir eles são conhecidos, fazem amizade com todo mundo e isso estimula a valorização deles", ressalta o técnico.
"Para mim, é muito importante. Gosto bastante de ganhar medalhas", resume Guilherme Almeida dos Santos, de 19 anos, um dos integrantes da equipe. Além dele, o time já teve um campeão brasileiro, João Carlos da Costa, em 2012, um vencedor dos Parajaps, João Pedro Gonçalves, no ano seguinte, e Devanil Maciel, campeão da primeira etapa do estadual deste ano. A equipe conta também com atletas sem deficiência, como Beatriz Moreira, que vai buscar uma vaga na fase final dos Jogos Escolares da Juventude.
COORDENAÇÃO MOTORA
Outro benefício valoroso, segundo Novais, envolve a coordenação motora. "Os ganhos são infinitos. Melhora a resistência aeróbica, a lateralidade, o domínio espacial, coordenação visio-motora. O fato de ser praticado com uma peteca e raquetes faz com que eles executem um voo e isso acaba entretendo e distraindo eles", elenca o professor, que se define como um apaixonado pelo esporte e também compete como jogador.
Mas se sobra disposição e bons resultados, por outro lado ainda falta algo fundamental para a manutenção do projeto: patrocínio. Até o ano passado, a equipe contava com apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro e da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), através do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). Mas este ano tem sobrevivido com promoção de rifas e eventos e da colaboração de alguns parceiros, longe de ser suficiente. Sem dinheiro, foi obrigada a ficar de fora da primeira etapa do nacional, realizada em Teresina-PI, no início do mês.
A esperança de Novais é que a presença de patrocinadores possa deixar a equipe do Ilece mais perto de realizar um grande sonho: ter um atleta nas Paraolimpíadas. "Quando criamos a equipe lá atrás já sonhávamos com isso", revela. O desejo, no entanto, terá que esperar um pouquinho, já que a modalidade só deverá entrar no cronograma paraolímpico a partir dos Jogos de 2024.


