O paraatleta André Luís Requia, 25 anos, que integra na UEL o time de basquete de cadeirantes, é um lutador em prol dos direitos dos deficientes em Londrina. Como sempre dependeu de ônibus para se locomover na cidade, Requia já é figurinha carimbada nos balcões de reclamação do Terminal Urbano e o motivo de suas queixas são sempre os mesmos: a escassez de ônibus adaptados (com elevador) nas linhas ou o não-cumprimento dos horários por parte das companhias.
É difícil acreditar, mas ele precisa todos os dias conferir a programação dos ônibus adaptados com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Como vai a diferentes lugares da cidade, ele repete o ritual todo dia logo que acorda: ''Pego o telefone e verifico a hora que vai passar o ônibus próximo à minha casa e depois o horário dos outros, que saem do Terminal para a UEL, para o HU e para o Grêmio Londrinense. Preciso ver isso todo dia porque os horários de tabela raramente são cumpridos'', lamenta.
Requia mora no Jardim Santa Madalena (Zona Oeste) e usa diarimente ônibus desde que as empresas colocaram veículos adaptados nas linhas. ''Em Londrina, apesar de ainda haver muitas falhas, é melhor que em outras cidades que sequer têm ônibus para os deficientes'', observa.
Ele cita como exemplo atletas de Cambé, Prado Ferreira, Ibiporã e do distrito de Guaravera que se deslocam até a UEL para treinar basquete pelo projeto. ''Esse pessoal têm que vir de Kombi treinar e fica na dependência dos outros'', comenta Requia.
Como defende a idéia de inclusão dos deficientes, o paraatleta quer que mais cadeirantes da cidade usem os ônibus adaptados e se integrem à sociedade. ''Eu já fiz um rosário de reclamações para que haja mais ônibus com elevador e sei como isso é desgastante. Já sou conhecido do pessoal da CMTU e da TCGL, mas peço que as pessoas não desistam e que briguem para que tenhamos melhores condições de levarmos uma vida normal'', convocou.
De acordo com Requia, a maioria dos cadeirantes de Londrina ainda fica dentro de casa com medo de se lançar às atividades. ''Estamos chamando esse pessoal para vir até a UEL e conhecer o projeto. Eles só terão a ganhar'', promete o entusiasta, que além de basquete, também treina halterofilismo - disputa o Circuito Paraolímpico da Caixa - e faz fisioterapia e hidroterapia. (J.K.)

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