Curitiba - Radicada há oito meses no Paraná, a paratleta Terezinha Guilhermino é uma das principais esperanças de medalhas do atletismo brasileiro nos Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro, que começam a ser disputados hoje. Recordista mundial das provas dos 100, 400 e 4x400 metros, ela espera aumentar sua coleção de títulos na pista do Engenhão, competindo na categoria T 11, para deficientes visuais - em que compete com uma venda, já que enxerga apenas vultos e luzes.
Mineira de Betim, a paratleta de 28 anos mudou-se para Curitiba buscando mais qualidade de vida e uma melhor estrutura para os treinamentos. Até mesmo para compensar as dificuldades do início da carreira, iniciada há sete anos. ''Resolvi competir em 2.000, logo depois que concluí um curso técnico de administração. Como tinha tempo livre, decidi praticar um esporte. Procurei uma equipe paraolímpica e me inscrevi na natação, porque eu não tinha tênis. Mas como o que eu queria mesmo era correr, minha irmã me deu o único par de tênis que ela tinha'', explica Terezinha.
Nos três primeiros meses, ela sofreu com uma canelite - inflamação dos tendões da tíbia - causada pelos calçados inadequados, mas nunca pensou em desistir. ''O médico que me atendia disse que eu devia trocar de tênis. Mas como eu não tinha outro, usei aquele mesmo por mais oito meses'', recorda, sem perder o bom humor.
Com a mesma alegria com que conta os momentos difíceis, ela destaca as principais conquistas que começaram em provas de rua. ''Sou especialista em provas de velocidade, mas como não tinha patrocínio, eu participava de provas mais longas, para ganhar o dinheiro das premiações e continuar competindo''. Corridas de fundo que serviram para que ela ganhasse uma resistência muscular maior do que a de suas principais concorrentes, mais focadas nos treinos de explosão. Desde então, Terezinha já participou de uma edição do Parapan, de dois Parapans de Cegos e da Paraolímpiada de Atenas.
Na Grécia, além do bronze nos 400 m, conquistou também o noivo, o alemão Matthias Schimdt. ''Pretendemos nos casar depois dos Jogos de Pequim, no ano que vem'', destaca a atleta, que aguarda ansiosamente a confirmação de sua participação nas próximas Paraolímpiadas, já que o Brasil garantiu 17 vagas no atletismo. ''Mas para ir para a China tenho que manter os bons resultados''.
Algo bem provável para quem conquistou, no Mundial de Cegos disputado no início do mês, em São Paulo, cinco medalhas de ouro: nos 100, 200 e 400 m e nos revezamentos 4x100 e 4x400 m. Provas em que é favorita a ocupar o lugar mais alto do pódio também no Parapan.

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