Aproveitar a visibilidade de um ano olímpico e o crescimento da Liga Nacional para voltar a ser referência. Esta é a meta da equipe de handebol masculino de Londrina no segundo semestre. Bicampeã nacional (2005 e 2008), a modalidade teve o trabalho interrompido entre 2013 e 2014, por falta de dinheiro. Retornou em 2015, mas com um time jovem, barato e sem estrelas como no passado. O resultado não poderia ser outro: terminou a competição sem nenhuma vitória.
Em 2016, as dificuldades financeiras continuam, mas as projeções são mais otimistas para o futuro.
"Este ano, a competição será mais forte, mas temos condições de jogar com igualdade. Se mantivermos esta base, teremos uma equipe muito boa em dois anos", aponta o técnico Giancarlos Ramirez, que irá comandar a equipe londrinense pela 14ª vez em uma Liga Nacional. Neste ano, o time atuará como MRV/Unicesumar/Paiquerê FM/Londrina. O handebol é a única modalidade de Londrina a participar de um campeonato nacional adulto.
Sempre restrita a clubes do sul e sudeste, a principal competição do handebol brasileiro ganhou novos patrocinadores e com isso a Confederação Brasileira de Handebol (CBH) expandiu o torneio para outras regiões. A Liga 2016 conta com 29 clubes, divididos em três grupos: Sul/Sudeste, Nordeste e Norte. "Com uma Liga mais longa e com mais participantes, todos ganham. Clubes e a Confederação. É uma forma de atrair mais patrocinadores. Existem muitos bons jogadores no Norte e Nordeste, mas o clubes lá não investiam porque não participavam de competições nacionais", ressalta Ramirez.

Visibilidade
Apesar do handebol brasileiro não ter conquistado medalha no Rio de Janeiro, a participação nas Olimpíadas foi muito positiva, com vitórias contra grandes potências mundiais e isso aumentou a visibilidade da modalidade. "Aqui o handebol é profissional, no Uruguai não. O nível de jogo é muito bom e a Liga é uma das mais atrativas das Américas", frisa o pivô da seleção uruguaia Gabriel, 21 anos, um dos reforços de Londrina para esta temporada.
Se os investimentos ainda não permitem a montagem de um grande time como a cidade tinha na primeira década dos anos 2000, quando além dos dois títulos da Liga, Londrina ganhou também o Pan-Americano, em 2009, as portas começam a se abrir novamente. "Conseguimos alguns apoios a mais e a tendência é evoluir. Para o ano que vem, queremos começar o trabalho já em março e para isso precisamos de mais recursos", aponta o treinador. Este ano, a equipe conseguiu um recurso de R$ 160 mil, via Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe).
Para quem viveu os melhores tempos do handebol londrinense, voltar ao período de glórias é uma realidade possível. "O trabalho que está recomeçando tem tudo para crescer e se tornar referência novamente. A visibilidade olímpica, o novo formato da Liga e a chegada de novos parceiros contribuem para esta retomada", afirmou o armador esquerdo Mão, que atuou em Londrina por dez anos e, aos 37 anos, voltou ao time nesta temporada para o seu último ano como atleta profissional.

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