Para Valdivia, dribles são fruto de muito trabalho
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quarta-feira, 02 de abril de 2008
Agência Estado 
São Paulo - A torcida palmeirense chama Valdivia de Mago, mas os dribles do chileno não têm nada de magia. São sim, fruto de técnica apurada à base de muito treino. Segundo o jogador, não adianta ter talento com a bola nos pés - é preciso ter boa visão periférica para antever o movimento dos adversários.
''Quando a bola chega, já sei o que vou fazer. Pode reparar: na maioria das jogadas, me adianto ao cara (marcador) e percebo, mesmo de costas, para onde ele vai. Aí eu saio para o outro lado'', contou Valdivia, dando a entende que tudo parece simples. ''Não é uma questão de velocidade, mas do momento certo de partir.''
Quando não dribla de primeira, Valdivia protege a bola com o corpo, dando as costas para o marcador. No começo, a impressão que se tinha era de que o chileno prendia demais a bola. Depois, a própria torcida passou a ver que se tratava de um recurso. Com uma finta seca, ele joga o adversário para um lado e sai pelo outro. ''O segredo é esperar a ação do cara e então partir com a bola'', contou.
Valdivia disse aprendeu isso pela tevê. ''Lá no Chile, eu assistia a jogadores como Zidane, Ronaldinho e Riquelme e tentava fazer igual. Pegava a bola e não sossegava enquanto não conseguisse repetir o que eles faziam'', revelou o meia chileno.
Cabeludo e brincalhão, Valdivia passa a imagem de cara desleixado, com meiões arriados e camiseta de um tamanho maior do que o necessário. Mas é um dos mais dedicados nos treinos. A boa fase - a melhor de sua carreira, segundo ele mesmo - não é por acaso. ''Estou mais forte do que nunca'', admitiu.
O fisioterapeuta Nilton Petroni tem uma planilha específica de exercícios para Valdivia. Com isso, o chileno vem ganhando força física e resistência. No segundo semestre de 2006, quando chegou ao Palmeiras, ele mal conseguia ficar em campo por 90 minutos. Hoje em dia, só sai quando o jogo já está ganho e o técnico Vanderlei Luxemburgo resolve lhe dar um descanso.
O maior problema continua sendo a violência dos marcadores e a complacência dos árbitros. ''Sei que o futebol não é coisa de boneca, mas me irrito quando mostram cartão amarelo para mim e não para quem me bate'', lamentou Valdivia, mostrando as cicatrizes nas pernas. ''Esta foi contra a Portuguesa'', aponta. ''Esta foi numa queda e essa já nem lembro quando foi.''
Mas as faltas dos adversários não o intimidam. ''Meu sonho é ser campeão pelo Palmeiras'', avisou Valdivia, o chileno que, com seus dribles, virou ídolo da torcida palmeirense.


