Bruxelas - O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deixou o encontro com a presidente Dilma Rousseff pedindo que o governo brasileiro reconheça o status da Copa do Mundo como ''um evento único''. O apelo foi feito na tentativa de pressionar o governo federal a ceder nas reivindicações feitas pela entidade sobre a pirataria, sobre a meia-entrada para estudantes e idosos e sobre o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Apesar da insistência, o executivo disse que não haja chance de o Brasil não receber o Mundial de 2014.
Valcke falou ontem, em Bruxelas, na Bélgica, logo após o pronunciamento do ministro do Esporte, Orlando Silva, a respeito do tema. Segundo o secretário-geral, o que a Fifa está pedindo ao Brasil não foi nem mais nem menos do que o solicitado da África do Sul em 2010 e o que será pedido à Rússia em 2018. ''O que estamos pedindo ao Brasil é normal. É o que pedimos à África do Sul e não é menos do que pediremos à Rússia'', alegou o dirigente. ''Nós sempre reconhecemos leis nacionais e regulamentos e vamos trabalhar para assegurar que as leis continuem lá. Mas devemos reconhecer que a Copa do Mundo é um evento único, ao qual nem tudo se aplica.''
Logo depois, Valcke deixou claro que a Fifa seguirá fazendo o lobby por suas reivindicações, que, segundo ele, protegem os interesses dos parceiros comerciais e dos patrocinadores da Copa do Mundo. ''Temos de reconhecer que a Copa do Mundo é um evento específico. E é nisso que estamos trabalhando com Orlando Silva'', repetiu o secretário-geral. ''Nós sempre vamos proteger nossos parceiros comerciais e os nossos patrocinadores tanto quanto poderemos. E isso faz parte da discussão.''
O dirigente da Fifa também se mostrou satisfeito pelo canal aberto diretamente com o Palácio do Planalto. ''Foi a primeira vez que nós tivemos a oportunidade de expressar e trocar ideias com a presidente Dilma Rousseff. Foi uma oportunidade que tive de dizer a ela que nós ou trabalharemos juntos, e todos ganharemos, ou não trabalharemos juntos, e ambos perdemos: a Fifa e o Brasil'', afirmou Valcke.
Apesar dos focos de desentendimento, Valcke reforçou que não existe a possibilidade de o Brasil não organizar a Copa. Ele afirmou ainda que todos os estádios estarão prontos para o Mundial, mas colocou em questão a infraestrutura para a Copa das Confederações, que ocorre em 2013. ''Não creio que haja uma verdadeira preocupação em relação à Copa do Mundo, todos os estádios estarão prontos. Para a Copa das Confederações há mais trabalho a fazer e eu não estou certo de que já estamos OK'', afirmou. Questionado sobre se o País realizará o evento conforme as solicitações da Fifa, o executivo respondeu: ''De acordo com as solicitações da Fifa eu não sei. Mas nós nunca discutimos mudar a Copa do Mundo de local''. (A.N./A.E.)

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