São Paulo - O Corinthians se esforça para não falar em título antes da hora. Nem a confortável vantagem sobre seus rivais, nem os primeiros gritos de campeão que a torcida soltou ao fim do clássico diante do São Paulo, ontem. Nada disso é capaz de contagiar o elenco alvinegro. E o técnico Antônio Lopes está de olho para que nenhum de seus atletas caia nessa euforia antes da hora. Embora pareça impossível, existe receio de que as coisas ainda possam dar erradas.
''Não temos que ficar pensando em vantagem e os exemplos estão aí dentro do futebol para ensinar'', alerta o treinador, que repete sistematicamente em suas entrevistas que o campeão só será conhecido na penúltima ou última rodada.
Lopes se apega sempre ao exemplo do que aconteceu no Brasileiro de 2004, quando o Santos foi campeão em cima da hora. ''O Atlético Paranaense tinha seis pontos de vantagem sobre o Santos e não conquistou o título. Por isso, precisamos ficar atentos para que não aconteça o mesmo conosco.''
Os números, porém, mostram que o título é só questão de tempo. Com o empate (1 a 1) diante do São Paulo, o Corinthians completou uma série de 16 jogos sem perder. Com as anulações de jogos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), sua última derrota aconteceu dia 24 de agosto: 1 a 0 para o Juventude, em Caxias do Sul. Mas o discurso continua o mesmo. ''Nada está decidido e eu estou mostrando a realidade do futebol ao meu elenco'', diz Lopes.
Se não bastasse, o treinador também mantém a sua invencibilidade. Desde que chegou, em nove jogos (sete pelo Brasileiro e dois pela Copa Sul-Americana) foram seis vitórias e três empates. Quinta-feira, faz seu 10º jogo no comando do Corinthians contra o Paysandu, em Belém.
Fabrício O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, pediu ao técnico Antônio Lopes para não escalar o volante Fabrício. O pedido, por meio de uma ligação telefônica, foi feito duas vezes: antes dos jogos contra Palmeiras e São Paulo. Nas duas partidas, o volante cometeu pênaltis quando os corintianos venciam por 1 a 0.
Na avaliação de Dualib, Fabrício não deve mais atuar porque não permanecerá no clube ao final de seu contrato, em junho de 2006.
Para renovar, o clube chegou a acionar a Justiça do Trabalho contra o volante para que ele assinasse a prorrogação de seu contrato, sem reajuste, por 242 dias, período em que ficou machucado. Uma liminar deu o direito ao clube de esticar o compromisso dele.

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