Para santistas, só resta vencer
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 12 (AE) - Para o Santos, não será um jogo qualquer: vai enfrentar às 21h40 de amanhã, na Vila Belmiro, seu maior rival, o Corinthians, numa situação delicada. Uma derrota acabará com as chances do time passar à próxima fase do Brasileiro, assim como uma vitória é considerada o primeiro passo para atingir o objetivo de ganhar as últimas cinco partidas e garantir a classificação. Nem o fato de o adversário não ganhar em Santos há 13 anos serve para aliviar os santistas: "Não me apego a isso", disse o técnico Paulo Autuori, "pois o importante é esse jogo, o momento em que ele vai ser disputado e
principalmente, que precisamos vencer".
Com uma margem muito pequena para erros - pode no máximo empatar uma dessas cinco partidas, ficando, então, com 33 pontos se ganhar as outras quatro - Paulo Autuori resolveu optar por uma equipe mais experiente, improvisando Claudiomiro na lateral-esquerda, escalando Caíco e Lúcio na armação de jogadas de ataque e promovendo o retorno de Paulo Rink para formar a dupla de atacantes com Dodô. Andrei e Narciso também retornam ao time, depois de cumprir suspensão.
Autuori sabe que a tolerância da torcida está próxima do zero, mas acha que jogar na Vila Belmiro "tem que fazer a diferença". "Mas precisamos produzir para ganhar a credibilidade dos torcedores", lembrou. Por isso, sua primeira recomendação é para que os jogadores façam uma boa partida desde o início, para aplacar os ânimos dos fanáticos santistas e evitar que vaias possam abalar ainda mais o moral da equipe. Essa tem sido a principal arma que os adversários usaram nos últimos jogos disputados em Santos.
Pela rivalidade dos dois adversários e pelas condições da Vila Belmiro, a Polícia Militar montou grande esquema de policiamento para o jogo, em que as torcidas ficarão separadas. Os corintianos irão entrar pelos portões 21 e 24 e a partida é também considerada de risco máximo, pois o Santos pode ser desclassificado em caso de derrota, o que provocará revolta em seus torcedores.
PRESSÃO - Dentro de campo, Autuori quer outra postura tática de seu time. Determinou uma forte marcação, ao mesmo tempo em que pretende que seu ataque seja mais agressivo. "Vamos marcar em cima, para pressionar o adversário e aproveitar os erros, saindo em contra-ataques rápidos na busca do gol", disse o meia Caíco, um dos jogadores escolhidos para a coordenação das jogadas de ataque. "Desta vez, vamos atuar de forma mais compacta e o time tem jogadores experientes que vão assumir a responsabilidade da classificação", completou o atleta.
CONTAS - Com apenas 20 pontos ganhos em 16 jogos, o Santos precisa de, no mínimo, quatro vitórias e um empate nas cinco partidas que faltam. "Com menos de 33 pontos, não há chances", admite Paulo Autuori, que está procurando fazer com que seus jogadores esqueçam as contas.
"Temos que trabalhar jogo a jogo e uma vitória sobre o Corinthians será muito importante para elevar o moral para os próximos compromissos", disse ele, pensando na meta difícil de atingir, que é a de colocar o time entre os oito classificados.
Hoje, antes do treino, ele reuniu em sua sala os onze titulares durante meia hora para a preleção que faz antecipadamente. Pelo menos aparentemente, conseguiu passar aos jogadores a necessidade desse esforço final para a classificação. "Está mais difícil, mas ainda é possível", disse o atacante Dodô. "Não será um jogo fácil, mas precisamos dessa vitória e vamos lutar muito para consegui-la", considerou o volante Narciso, que volta ao time depois de cinco partidas afastado, três por suspensão e duas por contusões.
Santos - Zetti; Ceará, Cláudio, Andrei e Claudiomiro; Elson, Narciso, Lúcio e Caíco; Dodô e Paulo Rink. Técnico - Paulo Autuori.


