Num momento em que a medalhista brasileira nos jogos pan-americanos do Rio Rebeca Gusmão foi suspensa preventivamente por fazer uso de substâncias proibidas, surge o questionamento: até que ponto o atleta pode chegar para ser o número um? Para Rogério Romero, bicampeão pan-americano e único nadador brasileiro a participar de cinco olimpíadas, a escolha pelo doping é pessoal.
  ‘‘O técnico pode influenciar, o ambiente também, mas a decisão é do atleta. Ele pode recusar, pode denunciar, pode renunciar ao posto que ocupa, pode procurar outro clube, outro treinador’’, defendeu.
  Para Romero, o doping é algo ruim para o esporte e deve ser sempre discutido. ‘‘Às vezes o próprio atleta comprou, outras vezes o médico administrou a substância sem que o atleta soubesse. É preciso investigar para ver a origem do problema porque o ônus final é sempre do atleta.’’
  Ele citou que em uma conferência da qual ele participou como subsecretário de Esportes de Minas Gerais foi discutido o caso da Alemanha, onde 6% da população pratica doping. ‘‘O doping nos esportes de alto rendimento é o mais evidente, mas e o culto ao físico que leva os atletas de academia a consumirem substâncias proibidas para atingir resultados mais rapidamente?’’, questionou.
  Para Romero, o doping natural é mesmo o treino e saber respeitar os limites. ‘‘Uma medalha obtida com ajuda de doping, no fundo, não vale nada. Só ajuda a desestimular os atletas que não se dopam.’’ Segundo o nadador, a Agência Mundial Anti-Doping (Wada) está revendo seu código de ética para tentar evitar situações como a de Rebeca, que pode ser banida do esporte, se comprovado o uso ininterrupto de doping.
  ‘‘As pesquisas dizem que o atleta tem mais medo é de ser pego e ter de enfrentar a discriminação do público do que ser banido. Particularmente encaro o doping como um crime. Se a pessoa é capaz de roubar no esporte, imagina como ela é na vida pessoal? Ela pode até se regenerar um dia, mas estará sempre mais suscetível a cometer o erro de novo.’’ (M.G.)

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