Para Pelé, geração atual é a melhor desde 70
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sexta-feira, 02 de setembro de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''A atual geração é a melhor safra de jogadores brasileiros desde a Copa de 70. Talvez a de 82 fosse tão boa quanto a de hoje, mas ninguém se lembra dela porque não ganhou a Copa. Às vezes, estrelas não bastam''. A declaração é polêmica e saiu da boca do melhor jogador de futebol de todos os tempos: Pelé.
Em visita a Curitiba ontem à tarde, para o anúncio do início das atividades do Instituto Pelé Pequeno Príncipe, o Atleta do Século aproveitou uma brecha para dar várias opiniões sobre o futebol atual. Não quis destacar o Brasil como favorito disparado para a partida contra o Chile, amanhã, pelas Eliminatórias da Copa. ''A seleção tem time de sobra. Mas temos que respeitar o Chile'', afirmou.
Algum favorito para a Copa da Alemanha? ''Temos várias boas seleções: o próprio Brasil, a Alemanha, a Espanha. Mas pode haver alguma surpresa''.
Ainda sobre a seleção, Pelé manifestou preocupação sobre o pouco tempo de que o time canarinho dispõe para treinar. ''Há pouco, eu estava fazendo uma comparação das seleções brasileiras de que a população mais lembra. E as pessoas lembram bem mais da seleção de 70. Isto porque aquele time ficou um ano e meio jogando e treinando junto, disputou as Eliminatórias, os jogadores se conheciam bem. Hoje, é mais difícil'', disse ele.
Pelé comentou que o excesso de craques e possibilidades para o meio-campo e o ataque da seleção não é problema. ''Antes da Copa de 70, diziam que eu não podia jogar com o Tostão, que o Rivelino não podia ficar no mesmo time que o Gérson. O importante é entrosamento, treinamento. É questão do Parreira acertar''.
O craque disse estar feliz pela receptividade que o ex-santista Robinho teve no Real Madrid, mas alertou que a diretoria e a torcida do time espanhol e a imprensa não devem esperar que o garoto das pedaladas seja o salvador da pátria. ''Não dá para jogar a responsabilidade sobre ele só porque o Real não ganhou os últimos torneios que disputou'', ressaltou Pelé.
Sobre Maradona, antigo desafeto que o recepcionou recentemente em seu programa de televisão, o Rei foi a princípio politicamente correto. ''Foi bom (ter ido ao programa). Como vocês todos viram, ele está recuperado. Em todos os lugares a que fui depois daquele encontro, me disseram que gostaram do programa''.
Depois, Pelé foi menos político: um repórter comentou que, na troca de passes de cabeça no programa de Maradona, o Rei colocou a bola sempre na cabeça do craque argentino, enquanto Pelé teve que se mexer muito para compensar as cabeçadas tortas de Dieguito. A resposta ao jornalista foi fulminante: ''Então você teve que esperar aquelas cabeçadas para saber quem é melhor?''.


