Depois de ganhar da Desportiva por 2 a 1, anteontem, no Estádio do Café, o Londrina recebe o Botafogo (SP), amanhã à noite, na acirrada briga do quadrangular final da Série B do Campeonato Brasileiro. O Londrina tem quatro pontos, um a menos que Botafogo e Desportiva. E dois atrás do líder Gama, o adversário de domingo, em Brasília. Duas equipes se classificam para a Série A em 99.
Na opinião do técnico Varlei de Carvalho e dos jogadores, a reabilitação de duas derrotas consecutivas serviu para ‘espantar o azar’ que rondava o time. ‘‘Enfim, acho que a sorte virou do nosso lado. Até São Pedro ajudou no meio daquele temporal’’, disse Varlei, ao se referir às chuvas que alagaram o gramado e encharcaram os torcedores no Estádio do Café.
O ala Marquinhos Capixaba, que na véspera do jogo esteve na Paróquia Nossa Senhora do Carmo (bairro do Sangri-lá), acredita que as orações do padre Padre Gonçalves o ajudaram a ‘exorcizar os maus espíritos’. ‘‘Quem tem fé como eu não pode duvidar dessas coisas. Eu me senti mais leve. Me fortaleci na reza e na água benta do padre. Em campo, corri como um danado. O gol do Ivanildo saiu dos meus pés. O mais importante de tudo é que tapamos a boca de quem só nos criticava. Mostramos que somos um grupo de homens de personalidade.’’
Coincidência ou não, Ivanildo, o herói dos 2 a 1, também ‘lavou a alma’ um dia antes de o Londrina enfrentar a Desportiva. A exemplo de Marquinhos Capixaba, o pe. Padre iria benzê-lo. Só que Ivanildo se confundiu e, em vez de aparecer na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, aguardou o padre na escadaria da Catedral Metropolitana (área central da cidade).
O desencontro estava consumado. Mesmo assim, Ivanildo decidiu entrar na Catedral para orar sozinho. Ajoelhou-se em um dos bancos e olhou, circunspecto, para as imagens de alguns santos colocados no alto das paredes. ‘‘Só pedi a Deus que não se esquecesse mais da gente.’’
Ontem à tarde, durante a reapresentação do elenco no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), Ivanildo falava dos ‘‘momentos dramáticos’’ que o Londrina viveu no segundo tempo contra a Desportiva. ‘‘No meio de tanto aguaceiro, a bola não rolava. Quando o Capixaba cobrou a falta, imaginei: agora é de cabeça, de boca, de mão, não importa... Ali, percebi que uma luz divina que começou a iluminar nosso caminho.’’
Ivanildo, jeito humilde de quem já trabalhou pesado na roça e de servente de pedreiro em Cabo Frio (RJ), reconhece que ‘marcou um gol de raiva’, mas recusa o rótulo de herói. ‘‘Herói é o garoto Luiz Carlos. O menino jogou um bolão. Olha o conselho que dei pra ele: vá lá e faça o que você está acostumado a fazer comigo nos treinos’’, elogiou.
Varlei dependia do julgamento do central Valder, ontem à noite, no Tribunal da CBF, para definir a equipe para o jogo de amanhã. Se Valder fosse suspenso, o atacante Alaor, que cumpriu uma tarefa importante no esquema utilizado na última rodada, ficaria como opção. O time teria apenas dois zagueiros (Ivanildo e Carlos Alberto), quatro no meio-campo (China, Wagner, Alemão e Adoilson) e dois no ataque (Mauro e Luiz Carlos). Nas laterais, Marquinhos Capixaba e Arnaldo. Renato permanece no gol.
Ingressos antecipados ao preço de R$ 3 podem ser adquiridos até o meio-dia de amanhã na sede do LEC, no Estádio VGD, e em outros 16 postos de vendas. Nas bilheterias, o ingresso para as arquibancadas custarão R$ 5.

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