Agência Estado
De São Paulo
A contratação de Rubens Barrichello pela Ferrari abriu a perspectiva de o Brasil voltar a vencer na Fórmula 1. Mas é grande a dúvida com relação ao que ele poderá fazer na equipe italiana, tendo ao lado o melhor piloto do mundo, Michael Schumacher. Enquanto Nelson Piquet acha que Rubinho, se quiser ter alguma chance, tem de fazer macumba ‘‘para o alemão machucar a perna de novo’’, o ex-piloto Gerhard Berger, acha que Schumacher terá ‘‘uma surpresa’’ com a capacidade do brasileiro.
Piquet diz saber o que fala, pois já dividiu o time com Schumacher: disputaram cinco provas pela Benetton, em 1991, quando o alemão estreou na F-1. Em corrida, a vantagem ficou com Piquet, que somou seis pontos diante de quatro de Schumacher. Em treinos classificatórios, o então três vezes campeão do mundo largou na frente do companheiro apenas na Austrália. ‘‘O alemão é hoje, disparado, o melhor; ele vai arrasar o Rubinho.’’
Berger, atualmente diretor do projeto de F-1 da BMW, conta que conhece bem o brasileiro. ‘‘Andei algumas vezes atrás de Rubens e sempre achei que, quando tivesse um bom carro, seria um piloto vencedor, pois é técnico e muito veloz’’, diz. ‘‘Se Irvine fez o que fez com a Ferrari, Rubens fará muito mais.’’
No Brasil as opiniões são, em geral, favoráveis a Rubinho. Para o ex-piloto das equipes Arrows e Tyrrell, Ricardo Rosset, ‘‘Schumacher terá pela frente o companheiro mais difícil que enfrentou até hoje.’’ A excelente impressão que Rubinho deverá deixar na Ferrari já no início pode enciumar o alemão. ‘‘Temo alguma represália do time em função da influência do Schumacher no grupo.’’
O promotor e organizador do GP do Brasil, Tamas Rohonyi, discorda. Ele afirma ter informações seguras de que a direção da Ferrari já compreendeu ser um erro estratégico concentrar todos os esforços no alemão. ‘‘Ao menos no início, os dois terão total liberdade; se, depois, Schumacher estiver em vantagem na classificação, Barrichello poderá ajudá-lo.’’ Para Rohonyi, Rubinho vai ganhar várias corridas este ano.
O que estará em jogo, segundo Edgar de Melo Filho, ex-piloto e comentarista de F-1 por muito anos, ‘‘é muito mais a estrutura psicológica de Rubinho que a de piloto.’’
Como Rosset, Melo Filho pensa que Schumacher não vai gostar de ver Rubinho conquistando seu espaço na Ferrari por ser excelente acertador de carro, dominar o idioma italiano e ser de convívio muito mais fácil que o alemão. ‘‘Como fez na Benetton, Schumacher procurará desestabilizar essa evolução.’’ Reginaldo Leme, comentarista de F-1 da Rede Globo e colunista do Estado, também pensa assim. ‘‘Schumacher vive para destruir o companheiro.’’
Mas Barrichello pode dar-se bem com ele, o que virá a favorecer seu rendimento. A receita de Leme para o brasileiro sair-se bem no confronto é usar a inteligência. ‘‘Rubinho terá de saber manobrar bem diante das situações difíceis que surgirão dentro da equipe.’’ Ele aposta em um placar na competição sobre quem será o mais veloz nos grids: 11 a 6 para Schumacher.

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