Leivinha é um dos poucos ex-jogadores que podem falar com propriedade sobre o Palmeiras. Um dos principais jogadores daquele time que imortalizou a Academia Palestra Itália, ele continua vivendo o Palmeiras de perto. Seja em eventos do clube, em jogos do time máster – no banco porque problemas no joelho não permitem que atue - , o ex-meia sempre está no calor da vida palestrina. E por isso, não tem dúvidas ao apontar qual foi o principal problema que levou o clube a ficar para trás na briga entre os grandes paulistas: a guerra política.
"É o que mais atrapalha. A irresponsabilidade de muitos diretores, que estão lá para satisfazer as vaidades e não se preocupam com o clube, apenas com as guerras internas que existem entre situação e oposição. Um está preocupado em derrubar o outro. Esquecem que foram ali para lutar pelo clube, que está sofrendo muito", apontou o ex-jogador, que ontem esteve em Londrina junto com outro ídolo palestrino, Ademir da Guia, para a inauguração da loja oficial do Palmeiras na cidade, localizada no Shopping Catuaí, a primeira fora de São Paulo.
Apesar da birra com as brigas internas do clube, Leivinha, no entanto, vê uma possibilidade de mudanças. "Talvez agora, com este novo presidente (Paulo Nobre), que tem outra mentalidade, as coisas podem mudar, mas não é de uma hora para outra. Precisa de uma mudança drástica lá dentro. E tem o aspecto financeiro, que vem de várias gestões. Uma vai deixando a dívida para a outra", comentou.
Leivinha acredita que a profissionalização da administração do clube é o caminho para a mudança. "Futebol é uma empresa que envolve muito dinheiro e precisa de pessoas capazes em cada setor, precisa de cara que estudou, que entenda. O centenário pode mudar algo, mas a verdade é que para conseguir mudar tem que ter uma revolução total. O Paulo Nobre foi vice do Della Mônica (ex-presidente), tem certa experiência. Pelo menos no contato, a gente percebe que é um cara esclarecido, que vê de uma forma moderna como tem que ser hoje. Tem que esquecer aqueles cardeais e dar uma inovada", disse o autor do gol mil da seleção brasileira, em maio de 1973.
Em 2014, o Palmeiras vive o ano de seu centenário. Com a volta à primeira divisão do Brasileirão praticamente garantida, a expectativa da torcida é de que o clube conquiste títulos para marcar as festas dos 100 anos de fundação. Mas o ex-jogador não está otimista. "O Palmeiras, do jeito que está na Segunda Divisão, deve antecipar a volta. Aí que é o grande problema porque tem que fazer uma equipe realmente de primeira. O Palmeiras era um time acostumado a disputar títulos e de um tempo para cá passou a nem participar disso. É triste. Agora, para se fazer um time tem que ter dinheiro, principalmente hoje, que o futebol está bastante inflacionado", analisou.

Perda de torcedores
A decadência palmeirense e a falta de títulos expressivos são apontadas pelo ex-jogador como uma das causas da perda de torcedores para os rivais. "A gente percebe que os palmeirenses são só os mais velhos, que estão acostumados. Hoje, a garotada é difícil de ser Palmeiras, o time não corresponde. Até brinco que os filhos não obedecem mais o pai. Então vão torcer para os times que estão ganhando ou que têm jogadores mais carismáticos. O Palmeiras não tem ídolos e precisa ter", cobrou.
O chileno Valdivia chegou a ser apontado como o possível ocupante desta lacuna da idolatria alviverde, mas não conseguiu. "O Valdivia, da primeira vez que passou, tornou-se um ídolo, mas infelizmente nesta segunda fase, o custo-benefício dele não compensou. Embora ele tenha um QI a mais que os outros, mas precisa estar bem fisicamente. Ele poderia ser um ídolo, mas se não joga não vai ser ídolo nunca. Não sei se ele quer ser um ídolo, precisa ver se ele quer ser primeiro", disparou Leivinha.
Para o ano do centenário, já se especula nos bastidores uma possível troca de comando. Abel Braga, Paulo Autuori e Vanderlei Luxemburgo são os favoritos para ocupar a vaga que hoje pertence a Gilson Kleina. No entanto, Leivinha defende a manutenção do técnico que dirige o time na Série B. "Eu gosto que dê chances para o treinador mostrar. É que normalmente no Brasil um treinador que não tenha nome dificilmente consegue ter sucesso num time grande. Não deveria ser assim, desde que seja capacitado. Os clubes adoram pagar R$ 500,
R$ 600 mil para treinador, sendo que podem encontrar gente que está começando e com vontade", opinou.

mockup