Apenas um empate separa o Paranavaí de sua segunda decisão de Campeonato Paranaense em cinco anos. Há quatro jogos da decisão o clima no Vermelhinho não é de ansiedade e muito menos de nervosismo. Com a tranquilidade que lhe é peculiar, o técnico Amauri Knevitz já trabalhou a cabeça dos jogadores e ontem avisou: ''o Coritiba é o time grande, eles têm a responsabilidade. Nós continuamos sendo os desafiantes''.
Com a vitória por 3 a 2 no jogo de ida, o Paranavaí conseguiu a vantagem de poder empatar no domingo à tarde, no Couto Pereira. Mesmo assim, o treinador acredita que a tarefa ficou mais difícil para o seu time porque o adversário terá obrigação de vencer. Por isso, ele tratou de empurrar a responsabilidade para o time coxa-branca. Mesmo assim, admitiu que o clima é favorável.
Para chegar à classificação, Knevitz quer que seus comandados mantenham o trabalho feito até agora no Estadual. ''O fato de estar nessa situação é bom e o pessoal sabe que para conseguir algo mais temos que estar todos concentrados e com atenção no que fazemos'', apontou o treinador.
Chegar à decisão é a consagração do trabalho feito em Paranavaí. Finalista em 2003, quando perdeu o título justamente para o Coritiba, o time pode repetir o feito e isso já leva a projetos ousados. ''Já está na hora do Paranavaí pensar em subir para a Série B (do Brasileiro)'', comentou o diretor de futebol do clube, Lourival Furquim. ''Se continuarmos o trabalho dessa maneira, em dois anos o Paraná terá mais um clube na Série B''.
O segredo do sucesso do time, segundo Furquim, é o comando de Knevitz e o critério na montagem do elenco. ''Aqui não vamos à imprensa falar que estamos negociando com esse ou aquele jogador. Aqui as contratações são sigilosas, não contratamos por DVD, empresário não coloca jogador aqui. Tenho atletas pagos por clubes, mas que eu conheço'', contou o dirigente.
Desse processo de montagem do elenco, Knevitz não participou. Ivo Secchi era o treinador na época, mas deixou o clube em meio à preparação para assumir o time B do Atlético. Lio Evaristo seria o contratado, mas acertou com o Roma pouco antes de assinar contrato.
Gaúcho de Porto Alegre e ex-zagueiro do Inter-RS e Atlético-PR, Knevitz estava ''escondido'' no ano passado. Primeiro treinou o Porto Alegre, o clube de Ronaldinho Gaúcho, depois foi para o Aimoré, ambos da Segundona gaúcha. ''Essa campanha me colocou em evidência novamente'', admitiu o treinador, que foi campeão do módulo Verde e Branco da Copa João Havelange em 2000.
Mas quase a campanha foi por água abaixo. O ACP estreou no quadrangular com um empate fora de casa e uma derrota em Paranavaí, o que deixou o técnico com receio. ''Confesso que ficamos três ou quatro dias seguidos falando com os jogadores. Fomos ao fundo e saímos por cima'', contou Knevitz.

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