São Paulo - Do Palmeiras, Ilsinho quer distância. Campeão brasileiro pelo São Paulo, o lateral-direito festeja seu bom momento e o fato de ter deixado o ex-clube, em sua opinião, na hora certa. ''O Palmeiras parecia o Titanic afundando: sorte minha que pulei num bote salva-vidas, que é o São Paulo, e escapei'', comparou o jogador. ''Saí de uma fria.''
Um dos destaques da reta final do Campeonato Brasileiro, Ilsinho tenta, mas não consegue esconder a mágoa da antiga casa. Garante que foi desprezado e não teve seu valor reconhecido no Palmeiras. ''Vários técnicos me diziam que eu era jogador de firula, que só sabia passar o pé em cima da bola'', contou o lateral, negando que o treinador em questão seja Emerson Leão. ''Eu quase larguei o futebol, quis voltar para o futsal, mas, felizmente, meus pais não deixaram.''
O pior é que o lateral de 21 anos jura existirem outros como ele nas categorias de base do Palestra Itália. ''A diretoria do Palmeiras não sabe os garotos que tem no time B e nos juniores'', garantiu Ilsinho. ''Alguns, como o Léo e o Marquinhos (meio-campistas), me põem no chinelo, são gênios, jogam muito'', comentou. ''Apesar disso, estão abandonados, ninguém dá a eles a importância que merecem.''
Persistência - Ilsinho disputou três vezes a Copa São Paulo de Juniores pelo Palmeiras. Em razão do limite de idade, não poderia jogar o torneio em 2007. ''E também sabia que no profissional não teria chance de atuar'', contou o lateral. ''O Marcelo Vilar foi quem acreditou em mim e me promoveu para o time principal. Acho que fui bem, no pouco tempo em que atuei, mas a diretoria não quis renovar o contrato'', lembrou.
''O que eu mais aprendi no Palmeiras é que por mais que a gente seja criticado, não se pode desistir nunca'', comentou Ilsinho. ''A maioria dos palmeirenses me considera traidor, mas eu fiz o que era melhor para a minha carreira'', disse. ''Para quem não tinha chance nem de jogar, terminar o ano como campeão brasileiro é a realização de um sonho.''
Deslumbrado com a estrutura que encontrou no São Paulo, o lateral fez juras de amor eterna ao clube. ''Quando eu era criança, nunca fui palmeirense: torcia para o São Bernardo'', brincou, em referência ao time da cidade natal.

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