Hamelin - Thierry Henry define o Brasil como algo mais do que uma simples seleção. Para ele, trata-se de uma entidade do futebol mundial. Cinco estrelas no peito que precisam ser respeitadas. O mais forte de todos os adversários, mas nem por isso invencível. Apesar da admiração pelo inigualável estilo verde-amarelo de jogar bola, Henry aposta num triunfo da França amanhã, em Frankfurt. ''Vencer o Brasil não é um sonho, é uma oportunidade real. Estamos aqui para ganhar. Vamos jogar em busca da vitória. Quem enfrenta o Brasil achando que é quase impossível aí é que não vence mesmo'', afirmou.
O atacante do Arsenal passou boa parte da entrevista que deu ontem, em Hamelin, tentando explicar a razão para a inesgotável fábrica de talentos verde-amarela. E encontrou uma tese cheia de ironia. ''Quando eu era pequeno e estudava das 7 às 17 horas, pedia na volta para meu pai me deixar jogar bola e ele me mandava fazer o dever de casa. No Brasil, as crianças jogam bola das 8 às 18 horas e ninguém fala nada. Aí não dá para competir'', disparou, com um sorriso nos lábios.
O Brasil de Henry tem o futebol como uma febre incontrolável, disseminada por todos os cantos do país. ''Você vai ao Brasil e tem gente jogando bola na praia. Sai à rua, nos centros, nos clubes... Todo lugar tem gente jogando. Até à beira das estradas sempre tem gente jogando futebol. É algo bem sul-americano. A Argentina também tem um pouco disso. Vem de berço.''
Acostumado a jogar contra brasileiros nas competições européias de clubes, Henry acha que um dos trunfos do futebol pentacampeão tem a ver com uma certa falta de estratégia. ''Brasileiros não entram em campo calculando muito. Simplesmente vão lá e jogam bola. Não têm medo de atacar, não têm medo de nada. Neste ponto, a França também é bem parecida. Acho que teremos um jogo aberto, um belo espetáculo de futebol'', apostou.
Assim como o técnico Raymond Domenech dissera na véspera, Henry também discorda das críticas que a seleção de Parreira vem sofrendo por não exibir o futebol que todos querem ver. ''O Brasil é uma entidade do futebol. Não importa se ganha de dois ou três gols de diferença. Se não der espetáculo, as críticas logo aparecem. Não dá para entender bem isso.''
As comparações com os confrontos de 1986 e 1998 inevitavelmente surgem na pauta. No primeiro caso, ainda na infância, limitou-se a torcer por Platini & cia. Já a final no Stade de France lhe vem à memória num misto de alegria e frustração. Na época, ele era reserva de Givarchy: ''Queria ter jogado aquela final, nem que fosse por uma fração de segundo. Ia entrar no segundo tempo, mas tivemos um jogador expulso e acabei ficando no banco.''

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